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Postos terão vacina aos sábados
Todos os postos de saúde do município do Rio abrirão aos sábados para vacinar a população contra a gripe suína. Terça-feira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o desafio da campanha é atender pessoas com idades entre 20 e 39 anos, que geralmente estão trabalhando ou estudando no horário de funcionamento dos postos de saúde. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, o esquema de funcionamento aos sábados começará dia 27 para vacinar gestantes, doentes crônicos e crianças de 6 meses a 2 anos de idade — grupo que será vacinado entre 22 de março e 2 de abril.
A meta do município é vacinar 2,7 milhões de pessoas, das quais quase 2 milhões têm entre 20 e 39 anos, de acordo com Rosanna Iozzi, superintendente de Vigilância em Saúde da secretaria.
Segundo o Município, aos sábados, os postos aplicarão a vacina entre 8h e 13h até o fim da campanha, no dia 21 de maio. Apenas nos dias 10 e 24 de abril, as unidades aplicarão o imunizante das 8h às 17h.
Cadastro
A partir das 13h de hoje, o Município começará a cadastrar médicos, enfermeiros, secretárias, recepcionistas, dentistas e outros profissionais de saúde que não trabalham em unidades selecionadas para receber a vacinação. Desde o dia 8, profissionais de saúde estão sendo vacinados, mas, conforme O DIA mostrou no sábado, médicos particulares e de clínicas de menor porte não estão tendo acesso ao imunizante.
“A prioridade é vacinar aqueles que terão contato com pacientes com a gripe, como os que trabalham nos hospitais com emergência e unidades básicas. Mas os profissionais que não estão incluídos nesse grupo devem telefonar para o Telessaúde (3523-4025) e fazer seu cadastro. Cada caso será analisado individualmente”, diz Rosanna, acrescentando que o número funciona durante 24 horas por dia.
Rosanna afirmou que, apesar de a campanha já ter começado, as vacinas chegarão aos poucos às unidades de saúde. Até ontem, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, referência para gripe suína, não recebeu a vacina para imunizar os profissionais. No Fundão, também houve falta do imunizante. “As unidades de referência terão vacina”, garantiu Rosanna.
(Pâmela Oliveira)
Fonte: O Dia, 11/3/2010
Vacinar crianças contra gripe comum reduz contágio em adultos, diz estudo
A vacinação generalizada de crianças e adolescentes contra a gripe comum pode ajudar a conter a disseminação do vírus entre os adultos, segundo um estudo canadense e americano.
A pesquisa constatou uma queda de 61% nas infecções por gripe entre membros de comunidades agrícolas no Canadá com um índice de vacinação superior a 80% entre as crianças e adolescentes de 3 a 15 anos.
O estudo foi publicado nesta semana pela revista especializada "The Journal of the American Medical Association" (Jama). Financiada pelos governos canadense e americano, a pesquisa ajudou a definir o público-alvo das campanhas de vacinação contra a gripe suína nesses países.
Comunidades
Os pesquisadores estudaram o resultado da vacinação de crianças e adolescentes em 49 comunidades hutteritas (grupo protestante que se organiza em cooperativas agrícolas fechadas) no oeste do Canadá.
Crianças de alguns desses grupos receberam a vacina contra a gripe, enquanto em outros elas receberam uma vacina contra hepatite A, usada como controle. No total, foram comparados 947 crianças e adolescentes vacinados contra a gripe com 2.326 que não haviam sido vacinados.
Nas comunidades onde a vacinação contra a gripe havia sido feita, o índice de infecção pela doença foi de 4,5%, enquanto nas comunidades onde foi dada a vacina para hepatite A, 10,6% ficaram gripados.
Efeito considerável
"O efeito da proteção indireta de imunizar crianças e adolescentes nos participantes do estudo foi considerável", disse no estudo o coordenador da pesquisa, Mark Loeb, da Universidade McMaster, no Canadá.
Segundo Loeb, os resultados da pesquisa mostram que os efeitos para os adultos do grupo da imunização de crianças e adolescentes foi semelhante à proteção que seria verificada com a vacinação desses adultos.
O pesquisador destaca ainda que o fato de crianças com menos de 3 anos não terem sido imunizadas no estudo pode ter reduzido a proteção sobre os adultos, que poderia ser ainda maior caso as crianças menores tivessem recebido a vacina.
"Nossos resultados oferecem uma prova experimental para apoiar a imunização contra influenza de crianças em idade escolar para interromper a transmissão", explica Loeb.
"Particularmente, se há restrições nas quantidades e na distribuição da vacina, pode ser vantajoso vacinar seletivamente crianças para reduzir a transmissão da influenza na comunidade", conclui o pesquisador.
Fonte: G1, 10/03/2010
36% dos brasileiros desconhecem datas para vacina contra a gripe suína, diz pesquisa
O Ministério da Saúde divulgou, no dia 9 de março, resultado da pesquisa sobre a percepção do brasileiro em relação à campanha de vacinação contra a gripe suína --a gripe A (H1N1). A sondagem, feita com 1.300 pessoas de todos os Estados, no período de 20 a 24 fevereiro, aponta que 36% dos brasileiros não sabem das datas de vacinação --cujo início da primeira etapa foi no dia 8 deste mês.
"Temos um universo importante de pessoas que não estão adequadamente informadas sobre a campanha", disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
Apesar da desinformação, o brasileiro está confiante em relação à campanha. Segundo a pesquisa, 71% das pessoas sondadas dizem acreditar que a vacina é eficaz, 83% não têm medo de tomar vacina, e 84% dos pesquisados gostariam de tomar a vacina.
"Se a avaliação é boa do ponto de vista da adesão, da confiança e da vontade, por outro lado, ainda há um obstáculo a ultrapassar que é o conhecimento", disse Temporão.
O governo pretende imunizar 80% de cada um dos sete grupos prioritário para a vacinação. A meta é imunizar 91 milhões de pessoas contra a gripe suína, e 20 milhões contra a gripe comum.
Campanha
Para dar mais visibilidade à propaganda da campanha de vacinação, o ministério convocou empresários para que ajudem o governo. Na última terça-feira, 87 representantes de empresas estiveram no ministério, ouvindo orientações do próprio ministro sobre como informar seus funcionários e demais cidadãos a respeito da vacina.
Algumas empresas afirmaram que vão anunciar o cronograma de vacinação em veículos internos e em outros locais, como extratos bancários e encartes promocionais.
O ministério colocou à disposição um serviço de aviso por e-mail sobre a data de vacinação. Quem quiser o serviço deverá se cadastrar no site do ministério. Em dois dias de funcionamento do serviço, 12,8 mil pessoas se cadastraram pedindo para serem avisadas, informou o governo.
(Sofia Fernandes)
Fonte: Folha de SP, 9/3/2010
Brasileiro desenvolve técnica para combater mosquito da dengue
O pesquisador brasileiro Osvaldo Marinotti está desenvolvendo na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, um mosquito geneticamente modificado que pode ser usado para reduzir a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Como apenas as fêmeas do inseto picam e transmitem a doença, além de carregar os ovos, a técnica visa a diminuir essa população.
O mosquito que está sendo desenvolvido produz uma toxina no código genético que atrapalha a formação das fêmeas, deixando-as com as asas atrofiadas e incapazes de sobreviver. Os machos, no entanto, são normais. A ideia é que os ovos com esses mosquitos transgênicos sejam colocados na natureza.
Como as fêmeas são inválidas, apenas os machos teriam capacidade de voar e transmitiriam o código genético “inseticida” à medida que cruzassem com as fêmeas. As crias resultantes desses cruzamentos teriam fêmeas defeituosas e os insetos do sexo masculino normais, para transmitir a herança genética adiante. Com a população de fêmeas reduzida, a reprodução do inseto fica prejudicada.
Segundo Marinotti, a técnica pode ser capaz de exterminar a população de Aedes aegypti em uma localidade. “Mas mosquitos existem em todos os lugares. E mosquitos vindos de outros lugares vão repovoar aquela região”, acrescenta. Por isso, seria necessário fazer novas solturas do animal modificado para prevenir o aparecimento da doença.
O custo da técnica, segundo o pesquisador, não é muito elevado. “Eu acho que o custo maior talvez seja com a distribuição e logística”, ponderou.
Os mosquitos transgênicos estão atualmente passando por testes em “grandes gaiolas” no México. De acordo com o pesquisador, o uso do mosquito vai depender dos resultados desses testes, realizados em um sistema de contenção, sem soltar os animais na natureza.
“Esses resultados vão ser usados pelos órgãos reguladores de meio ambiente e saúde pública. E vão avaliar se vale a pena e se é seguro fazer um teste em campo, em condições de soltar mosquito na natureza”, explicou.
Os insetos transgênicos estarão prontos para serem testados em campo em um prazo de um a dois anos, segundo Marinotti.
Fonte: Correio Brasiliense, 9/3/2010
Vírus da aids consegue 'se esconder' durante tratamentos
O vírus da aids escapa dos tratamentos ao se esconder dentro das células progenitoras de sangue e se multiplica depois do fim de um tratamento, segundo um artigo publicado neste domingo, 7, pela revista Nature Medicine.
Uma equipe de pesquisadores liderada por Kathleen Collins, bióloga da Universidade de Michigan, descobriu que as células progenitoras que se desenvolvem em células do sistema imunológico são um importante local de depósito do vírus.
Segundo o artigo, a infecção pode persistir apesar dos tratamentos porque o vírus continua latente dentro das células, pronto para se multiplicar quando o tratamento é interrompido. Estes depósitos de reserva celulares são resistentes à resposta do organismo e ao tratamento antirretroviral de alta eficácia administrado aos pacientes.
Isto significa que o vírus pode atacar os linfócitos, células que ajudam na resposta imunitária do corpo, depois do tratamento. "Há muitos casos nos quais os pacientes deixaram de tomar os remédios e o vírus reapareceu, Não há forma de suspender totalmente a administração dos medicamentos", disse Collins, principal autora do estudo.
O tratamento antirretroviral pode deter a propagação do vírus impedindo que o genoma viral se integre nas novas células. As combinações de remédios usadas nestes tratamentos não atacam a célula que faz cópias dos vírus, mas podem impedir que os vírus novos infectem mais células.
Os pesquisadores demonstraram que o vírus HIV pode atacar as células progenitoras hematopoéticas, aquelas que dão origem a todos os elementos celulares do sangue, e que são uma fonte potencial de células usadas para a correção de várias condições patológicas.
O grupo de pesquisadores coletou estas células de pacientes submetidos ao tratamento antirretroviral e que não demonstravam amostras detectáveis de vírus por pelo menos seis meses. Quando os pesquisadores forçaram as células a diferenciar-se em linfócitos, no laboratório, encontraram o genoma do HIV em aproximadamente 40% dos participantes do estudo.
Os cientistas também recolheram células da medula espinhal de pessoas saudáveis e mostraram que o vírus matava algumas das células. Em outras, ele se integrava no cromossomo celular e não se reproduzia. Estas células cresceram como se não estivessem infectadas pelo vírus.
Fonte: O Estado de SP, 8/3/2010
Tuberculose mata 3 em cada 10 doentes com HIV no país
A tuberculose é a doença que mais mata pacientes com Aids no país, sugere estudo realizado por equipes do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Fiocruz) e do Departamento de Medicina da Universidade Johns Hopkins (EUA).
De acordo com a pesquisa, realizada durante um ano com 1.774 pacientes (859 do Rio e 915 de Baltimore), a tuberculose foi responsável por 32, 4% das mortes no Rio Janeiro, seguida da criptococose (11,8%) e do sarcoma de Kaposi (11,8%). Os resultados foram publicados na revista científica "Aids".
Em Baltimore não houve nenhuma morte relacionada à tuberculose: 17,8% dos óbitos foram por problemas cardiovasculares e 8,9%, devido ao uso abusivo de drogas.
Trata-se do primeiro estudo que comparou as causas de morte pela doença usando metodologia idêntica. Ao longo do período, 79 pacientes faleceram, 34 no Rio e 45 nos EUA.
Segundo a infectologista Beatriz Grinsztejn, autora da pesquisa, o objetivo do estudo era avaliar a mortalidade um ano após o início do tratamento. "Queríamos entender quais são as razões que estão levando os nossos pacientes à morte. Conseguimos descobrir as causas e identificar os momentos de maior risco", afirmou.
No Brasil, o maior risco de mortalidade está nos 90 primeiros dias de tratamento, enquanto nos EUA o risco é igual no ano todo. Para Grinsztejn, o risco de mortalidade é maior no Brasil porque os pacientes ainda são diagnosticados tardiamente. "Quando eles chegam ao sistema de saúde, já estão com a doença instalada e avançada".
Segundo Ronaldo Hallal, assessor técnico da Unidade de Assistência e Tratamento do Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde, a tuberculose é, de fato, a doença infecciosa que mais mata os pacientes soropositivos no país.
Ele diz que o ministério tem ações específicas para tentar identificar a doença mais precocemente: intensificar o diagnóstico de HIV em pacientes com tuberculose, reforçar a busca de casos em pacientes com HIV e testar pessoas que tiveram contato com o bacilo da tuberculose no passado para iniciar tratamento profilático.
"São estratégias que têm como objetivo ampliar o tratamento e reduzir a mortalidade, já que a tuberculose está emergindo no mundo todo, especialmente nos países em desenvolvimento", afirmou Hallal.
O pneumologista Virgílio Tonietto, professor da PUC-RS, diz que o Brasil registra cerca de 100 mil novos casos da doença por ano. "A tuberculose ainda é muito presente. O paciente soropositivo precisa de cuidados redobrados", diz.
(Fernanda Bassette)
Fonte: Folha de SP, 8/3/2010
Gestores delineiam edital contra tuberculose
A reunião também envolveu pesquisadores dos três estados. O objetivo é delinear uma parceria para desenvolver pesquisas relacionadas ao combate à tuberculose. A iniciativa prevê, ao todo, investimentos de cerca de R$ 6 milhões, sendo R$ 2 milhões de cada instituição.
Estiveram em debate os meios para unir os grupos de pesquisa dos três estados, as linhas de pesquisa e o volume de recursos para cada projeto. Inicialmente, espera-se liberar R$ 1,5 milhão para cada um. Os gestores não querem fragmentar os recursos, pois esperam chegar a um resultado mais rápido e consistente em menos tempo ao investir em poucos projetos. O edital terá a duração de três anos, mas poderá ser prorrogado.
De acordo com o diretor-presidente da Fapeam, Odenildo Sena, a meta é financiar quatro grandes projetos. Ele explicou que, após a definição dos procedimentos, os gestores procurarão o Ministério da Saúde (MS) para tentar injetar mais recursos. "Essa parceria demonstra que o Amazonas tem compromisso com a ciência e, consequentemente, quer solucionar os problemas que afetam a população", frisou Sena, acrescentando que iniciativas semelhantes existem, como as redes de malária, dengue e biocosméticos.
Conforme Sena, a ideia da parceria surgiu da necessidade de baixar os índices de tuberculose no Amazonas e no Rio de Janeiro. "O desafio levou o diretor-presidente da Faperj, Ruy Garcia Marques, a convidar o gestor da Fapemig, Mário Neto Borges, que aceitou participar do desafio", informou.
A próxima reunião ocorrerá no dia 26 de março, no Rio de Janeiro. A meta é que o edital seja publicado no final do mês de abril.
(Luís Mansueto, Agência Fapeam)
Fonte: Jornal da Ciência, 8/3/2010
Mudanças climáticas podem prolongar temporada de alergias
Os espirros, congestão e coriza característicos de crises alérgicas poderão incomodar as pessoas por mais tempo por causa das mudanças climáticas, que estão estendendo a temporada de pólen, afirmam médicos italianos.
Segundo o estudo divulgado nesta segunda-feira, 1, em congresso da Academia Americana de Alergia, durante os últimos 26 anos a quantidade de pólen no ar aumentou progressivamente.
O grupo de médicos da Universidade de Gênova registrou a quantidade de pólen, a duração da temporada e a reação das pessoas diante de cinco tipos de pólen na região de Bordighera entre 1981 e 2007.
"Nós observamos que a elevação progressiva da temperatura prolongou a duração da temporada de pólens de algumas plantas, o que, consequentemente, aumentou a quantidade média do pólen no ar", disse o médico italiano Walter Canônica.
O porcentual de pacientes que apresentaram reação alérgica ao pólen aumentou durante o estudo, contudo os médicos não afirmam que a temporada mais longa de pólen colabore com o aumento de pessoas suscetíveis a esse tipo de alergia.
"Temporadas mais longas e níveis elevados de pólen no ar certamente colaboram com o surgimento de sintomas críticos ou atenuados de rinite alérgica", disse a médica norte-americana Estelle Levetin, que não participou do estudo.
Cerca de 25 milhões de norte-americanos, metade deles crianças, apresentaram rinite alérgica no último ano, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
Fonte: O Estado de SP, 2/3/2010
Tire suas dúvidas sobre a vacinação contra a nova gripe
Após o Ministério da Saúde divulgar que os adultos entre 30 e 39 anos também seriam vacinados contra a nova gripe, centenas de leitores deixaram seu comentário ou entraram em contato com o G1 apresentando dúvidas sobre a vacinação.
As dúvidas mais frequentes – a maioria relacionada à vacinação de crianças –foram enviadas ao Ministério da Saúde. Veja abaixo as respostas aos principais questionamentos:
Por que crianças acima de dois anos não podem tomar a vacina, já que elas vão à escola e estão expostas à contaminação?
De acordo com a recomendação da Organização Mundial de Saúde, adotada por todos os países que adquiriram vacinas, não há indicação de vacinar toda a população, porque o objetivo da vacinação não é evitar a infecção pelo vírus. Os principais objetivos são manter o funcionamento dos serviços de saúde envolvidos na resposta à pandemia e diminuir o risco de adoecer e o número de mortes associadas à influenza pandêmica nos grupos mais afetados durante a primeira onda. A OMS estabeleceu quatro públicos prioritários: trabalhadores de saúde, gestantes, população indígena e população com doenças crônicas de base. No Brasil, um consenso entre o Ministério da Saúde e diversas instituições, com base em critérios epidemiológicos, definiu outros três grupos para a vacinação. Esses grupos apresentaram, na primeira onda da pandemia, maior chance de ter doença respiratória grave e, consequentemente, morrer. São as crianças saudáveis entre 6 meses e 2 anos, adultos saudáveis de 20 a 29 anos e adultos saudáveis de 30 a 39 anos.
Já que foi organizada uma campanha tão grande e complexa, por que não vacinar toda a população?
A vacinação em massa para a contenção de pandemia não é o foco da estratégia de enfrentamento da segunda onda pandêmica em todo o mundo. Os objetivos, como já dito, são: manter o funcionamento dos serviços de saúde envolvidos na resposta à pandemia e reduzir o risco de desenvolver doença grave e morrer associado à pandemia da influenza. Esses objetivos somente serão alcançados se houver o cumprimento do que foi estabelecido, conforme parâmetros técnicos vigentes até o momento. É importante esclarecer que, nas Américas, além do Brasil, Estados Unidos e Canadá incluíram na população alvo a ser vacinada a população saudável. A maioria dos demais países irá vacinar apenas os quatro grupos recomendados pela OMS, demonstrando, assim, o esforço do Brasil em vacinar o maior quantitativo de indivíduos com risco de desenvolver doença grave ou morrer por esta doença.
É possível tomar a vacina em hospitais ou laboratórios particulares? Eles estão autorizados a comprar e aplicar a vacina?
Não há nenhum veto a que a rede privada disponibilize a vacina. Mas é importante ficar claro que a oferta da vacina na rede privada não é de responsabilidade do Ministério da Saúde.
Quem está fora do público-alvo para a vacinação corre algum risco se for vacinado?
A vacina é contra-indicada apenas para quem tem alergia a ovo.
Como funciona a regra das idades? Uma criança que tem dois anos e meio pode ser vacinada dentro do grupo que tem entre seis meses e dois anos de idade?
A vacina está indicada para crianças entre seis meses e menos de dois anos completos.
A vacina é aplicada por injeção ou é via oral?
Injetável, intramuscular, no braço direito ou esquerdo.
A vacina tem efeitos colaterais?
A vacina é segura e já está em uso em diversos países, sem evidências de ocorrência de eventos adversos graves associados ao seu uso. Mas é importante ressaltar que nenhuma vacina está livre de alguma ocorrência mínima de efeitos colaterais.
Fonte: G1, 26/2/2010
Adultos de 30 a 39 anos também serão vacinados contra nova gripe
O Ministério da Saúde anunciou, no dia 25 de fevereiro, a inclusão dos adultos que têm entre 30 e 39 anos entre os grupos que receberão a vacina contra a gripe A (H1N1). A campanha de imunização, que começa no dia 8 de março, já incluía profissionais da saúde, povos indígenas, crianças pequenas, pessoas com problemas crônicos e jovens entre 20 e 29 anos de idade.
Esses grupos foram escolhidos por serem os mais vulneráveis ou os que apresentam sintomas mais graves quando são infectados pela vírus da nova gripe. O ministério não recomenda que pessoas fora desse público tomem a vacina.
A vacinação será gratuita e dividida em cinco etapas, conforme o público-alvo (veja tabela abaixo). O Ministério da Saúde tem 83 milhões de doses da vacina e terá que comprar mais 30 milhões para conseguir vacinar mais uma faixa etária. Para a aquisição da medicação extra serão gastos R$ 300 milhões, que serão liberados por Medida Provisória.
Estima-se que pelo menos 91 milhões de pessoas sejam vacinadas contra a nova gripe. Parte do medicamento adquirido pelo governo será mantido como reserva técnica caso seja necessário vacinar outros grupos.
CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE A (H1N1) |
8 a 19 de março |
Profissionais da Saúde |
Médicos, enfermeiros, recepcionistas, pessoal de limpeza e segurança, motoristas de ambulância, equipes de laboratório e profissionais que atuam na investigação epidemiológica. |
8 a 19 de março |
Povos indígenas |
População que vive em aldeias. A vacinação será realizada em parceria com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde). |
22 de março a 2 de abril |
Gestantes |
Mulheres grávidas em qualquer período de gestação. As mulheres que engravidarem depois de 2 de abril podem tomar a vacina até 21 de maio. |
22 de março a 2 de abril |
Pessoas com problemas crônicos com até 60 anos de idade |
Serão vacinadas as pessoas com os seguintes problemas:
• Obesidade grau 3 - antiga obesidade mórbida (crianças; adolescentes e adultos);
• Doenças respiratórias crônicas desde a infância (exemplos: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
• Asmáticos (formas graves);
• Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória;
• Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (exemplo: distrofia neuromuscular);
• Imunodeprimidos (exemplos: pacientes em tratamento para aids e câncer ou portadores de doenças que debilitam o sistema imunológico);
• Diabetes mellitus;
• Doença hepática (exemplos: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral);
• Doença renal (exemplo: insuficiência renal crônica, principalmente em pacientes com diálise);
• Doença hematológica (hemoglobinopatias);
• Pacientes menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (exemplos: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);
• Portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca;
• Portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica (exemplos: hipertensão arterial pulmonar, valvulopatias, cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular). |
22 de março a 2 de abril |
Crianças entre seis meses e dois anos de idade incompletos (23 meses). |
Elas devem receber meia dose da vacina e, depois de 21 dias, poderão tomar a outra meia dose. |
5 a 23 de abril |
População de 20 a 29 anos |
Qualquer pessoa nessa faixa etária. |
24 de abril a 7 de maio |
Idosos com problemas crônicos (mais de 60 anos de idade). |
O período coincide com a vacinação de idosos para a gripe comum. Quando eles forem tomar a vacina, receberão também imunização contra o vírus influenza A (H1N1) caso tenham algum destes problemas:
• Obesidade grau 3 - antiga obesidade mórbida (crianças; adolescentes e adultos);
• Doenças respiratórias crônicas desde a infância (exemplos: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
• Asmáticos (formas graves);
• Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória;
• Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (exemplo: distrofia neuromuscular);
• Imunodeprimidos (exemplos: pacientes em tratamento para aids e câncer ou portadores de doenças que debilitam o sistema imunológico);
• Diabetes mellitus;
• Doença hepática (exemplos: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral);
• Doença renal (exemplo: insuficiência renal crônica, principalmente em pacientes com diálise);
• Doença hematológica (hemoglobinopatias);
• Pacientes menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (exemplos: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);
• Portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca;
• Portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica (exemplos: hipertensão arterial pulmonar, valvulopatias, cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular). |
10 a 21 de maio |
População de 30 a 39 anos |
Qualquer pessoa nessa faixa etária. |
Fonte: G1, 25/2/2010
Remédios contra asma recebem alerta
A agência que controla remédios e alimentos nos Estados Unidos, a FDA, divulgou um alerta no dia 18 de fevereiro com novas orientações para o uso de medicamentos contra asma. Segundo o alerta, os broncodilatadores de ação duradoura (Laba, na sigla em inglês) não devem ser usados isoladamente no tratamento. Os fabricantes ficam obrigados a incluir um aviso nas bulas e a oferecer programas para conscientizar os médicos sobre os riscos dessa classe de medicamentos. No Brasil, os remédios são comercializados com os nomes de Serevent (da GlaxoSmithKline) e Foradil (da Novartis).
A agência recomendou ainda que os medicamentos que combinam Laba com corticoides - Seredite, da GSK, e Symbicort, da Astrazeneca - sejam usados por períodos curtos e apenas em pacientes que não respondam a outros tratamentos. As drogas também são indicadas para pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica.
O alerta da FDA baseia-se em estudos clínicos que relacionaram o uso dessa classe de remédios ao aumento do risco de complicações severas da asma, levando à hospitalização e morte. Em nota, a agência, que em 2008 já havia alertado para os riscos desses medicamentos, pede mais estudos sobre os efeitos dos remédios.
Informe técnico
Com a divulgação das novas restrições de uso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se prepara para publicar nos próximos dias um informe técnico determinando o reforço nas bulas das informações relativas aos riscos. A Anvisa ressaltou, porém, que em todas elas já existem alertas. Segundo os laboratórios, as bulas informam corretamente sobre o uso e os riscos dos medicamentos, mas serão feitas alterações caso a Anvisa solicite.
Para o presidente da comissão para asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia, Paulo Augusto Moreira Camargos, as condições de saúde pública do País são diferentes das americanas e a grande preocupação é falta de tratamento. "Temos 3 mil óbitos por ano por causa de tratamento inexistente ou ineficiente da asma", disse. "A taxa de mortalidade aqui é de 10 a 15 vezes maior que nos EUA e Europa e isso não é causado por nenhum efeito colateral de medicamentos." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: G1, 20/2/2010
Saúde: lactante deve adiar vacina contra febre amarela
Nova recomendação do Ministério da Saúde orienta mulheres que estão amamentando a adiar a vacinação contra a febre amarela até a criança completar seis meses. De acordo com a pasta, há risco de os bebês serem contaminados pelo vírus atenuado da doença, usado na fabricação do imunizante.
Caso não seja possível adiar, o ministério recomenda que as mães retirem o próprio leite antes da imunização e o congelem para uso durante os 14 dias subsequente à vacina, quando o vírus atenuado ainda pode estar presente no alimento. Outra alternativa é recorrer a bancos públicos de leite materno.
As alterações nas orientações para quem está amamentando ocorreram em razão de o Brasil ter registrado, pela primeira vez na história, dois casos em que mães vacinadas contra a doença transmitiram às crianças, por meio do aleitamento, o vírus atenuado. Os dois bebês, que apresentaram problemas neurológicos, no momento estão bem, mas seguem sob acompanhamento. Os casos ocorreram em Porto Alegre e Cachoeira do Sul, a 196 quilômetros da capital gaúcha.
Atualmente existe recomendação para a vacina na maior parte do País, em razão de o vírus causador da doença ter se difundido entre 2008 e o ano passado no Sudeste, Sul e Centro-Oeste do País. Um total de 51 casos da doença foram registrados no período, com 21 mortes, e 22,4 milhões de vacinas foram distribuídas.
Desde 2007, 112 casos de reações adversas ao imunizante, como as que ocorreram com as crianças, já foram computados pelo ministério. A vacina é fabricada desde o fim dos anos 30 pelo laboratório público Biomanguinhos, da Fiocruz.
Fonte: O Estado de S. Paulo, 23/2/2010
Mosquito geneticamente modificado evita transmissão da dengue
Cientistas britânicos e americanos estão tentando criar um mosquito geneticamente modificado para evitar a transmissão da dengue. A ideia é produzir machos que ao cruzarem produzam larvas de fêmeas com uma mutação que limita o crescimento das asas. Assim esses insetos teriam a sua capacidade de voar limitada, reduzindo a sua chance de procriação.
A dengue atinge até cem milhões de pessoas ao ano e ameaça mais de um terço da população mundial. O vírus que causa a doença se propaga através da picada da fêmea do mosquito Aedes Aegypti, e, por enquanto, cientistas não conseguiram desenvolver uma vacina contra a infecção. O estudo com o mosquito transgênico foi publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" e, segundo os autores, ele é uma opção segura e eficiente a inseticidas. Outra ideia é usar a investigação para impedir a transmissão de outras doenças por insetos, como a malária.
- Os atuais métodos de controle da dengue não são eficazes o suficiente e são necessários urgentemente novos métodos. O controle do mosquito que transmite o vírus poderá reduzir significativamente a mortalidade humana. - disse Anthony James, da Universidade de Califórnia, Irvine.
Para o responsável pela pesquisa, Luke Alphey, da Universidade de Oxford, e proprietário de uma empresa de ciência aplicada, a Oxitech Ltd, a abordagem científica tem um foco bem específico.
- Os machos vão cruzar só com fêmeas da mesma espécie. Uma outra característica desse método é que todas as pessoas em áreas tratadas estarão igualmente protegidas, independentemente de suas posses, seus recursos e seu grau de instrução - afirmou.
Também Hilary Ranson, da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Liverpool, disse que se trata de um grande avanço:
- Será um desafio logístico produzir e liberar um número suficiente de mosquitos machos e não será barato. Porém poderá ser realizado com os recursos adequados.
Ela acrescentou que a dengue é uma doença ideal para ser combatida dessa maneira porque é propagada por apenas algumas poucas espécies de mosquito. Na opinião da pesquisadora, seria mais difícil usar técnica semelhante no combate à malária por causa da maior variedade de mosquitos portadores.
Fonte: O Globo, 23/02/2010
Antirretrovirais podem barrar contágio de HIV até 2015, diz
cientista
Cientistas acreditam que poderiam combater rapidamente o vírus da Aids, infecção que mata dois milhões de pessoas anualmente, por meio de tratamentos com antirretrovirais.
"Penso que se utilizarmos os antirretrovirais eficientemente é possível conter o contágio dentro de cinco anos", declarou Brian Williams, epidemiologista sul-africano que coordenou um estudo a respeito.
"Os antirretrovirais no mercado são muito eficazes e produzem poucos efeitos colaterais, mas o problema é que os utilizamos apenas para salvar a vida das pessoas infectadas e não para frear a pandemia", explicou Williams no congresso anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) em San Diego (Califórnia).
Tomados de maneira regular, os antirretrovirais permitem reduzir a concentração do vírus HIV no sangue em 10.000 vezes. Esta forte redução da carga viral faz com que as pessoas sejam 20 vezes menos contagiosas, o que é suficiente para conter a transmissão do vírus, explica o cientista, que já foi da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desta forma seria possível reduzir a mortalidade em quase 95% até 2015, o que resultaria em uma prevalência da doença quase nula até 2050.
Cerca de 33 milhões de pessoas estão vivendo com HIV, de acordo com estimativas referentes a 2007 da OMS e da Unaids (Programa das Nações Unidas sobre Aids). Nesse ano, cerca de 2 milhões delas morreram de Aids e 2,7 milhões ficaram infectadas. Estimadas 370.000 crianças (com menos de 15 anos) estão entre essas infectadas.
A África subsaariana tem 67% das pessoas vivendo com Aids pelo mundo. Entre as crianças com HIV no mundo, são quase 90% as que vivem nessa região.
No Brasil, a estimativa é de 730.000 pessoas vivendo com o vírus, 40% de toda a América Latina. A prevalência estimada no Brasil é de 0,6%. O segundo país na América Latina com mais casos de Aids é o México, com 200.000 pessoas com HIV.
Fonte: Folha de SP, 21/2/2010
Única vacina para HIV com sucesso parcial tem efeito temporário
Ricardo Mioto, escreve para a Folha de S. Paulo
Cientistas anunciaram no dia 19 de fevereiro mais um obstáculo na luta contra a Aids.
A vacina que, em setembro do ano passado, ganhou destaque por conseguir diminuir em 31% o risco de contaminação por HIV em voluntários na Tailândia, na verdade não funciona tão bem. Segundo os próprios pesquisadores que a testaram, a proteção que ela oferece é apenas temporária --cerca de um ano.
O valor de 31% pode não parecer alto. Realmente seria necessário mais do que isso para que fosse viável produzir uma vacina em grande escala. Mas era a primeira vez em que uma vacina tinha algum grau de sucesso, mesmo que parcial. A esperança era que, a partir dela, fosse possível desenvolver uma imunização mais eficaz.
Por isso, na época, os cientistas envolvidos na pesquisa estavam otimistas. Eles pertenciam a órgãos americanos --incluindo o Exército-- e tailandeses, além de uma empresa e uma ONG, donas cada uma de metade da vacina.
Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, um dos financiadores do teste na Tailândia, disse então: "Faz mais de 20 anos que todas as vacinas foram essencialmente fracassos. Parece que estávamos tateando por um corredor escuro, até que uma porta finalmente se abriu".
A porta continua aberta, mas agora parece que será ainda mais difícil atravessá-la.
Ainda útil
Para o coronel Nelson Michael, do Instituto Walter Reed de Pesquisas do Exército dos EUA, que anunciou as novas descobertas na Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas, em São Francisco (EUA), a vacina ainda é útil. "Ela tem um efeito fraco e modesto, mas é possível construir algo a partir dela."
Para ele, o tempo limitado de proteção da vacina, conhecida como RV 144, não é motivo para jogá-la no lixo. "É o ideal? Não é. Mas existem vacinas, como a da gripe, que você tem de tomar todos os anos."
Esper Kallás, infectologista da USP, concorda. "É algo que acaba criando mais um problema, mas não é um abalo. A situação ainda é melhor do que alguns meses atrás, quando a gente não tinha nada." Para ele, as estratégias de vacinação podem se adaptar a uma vacina que não dure a vida inteira.
"Em diferentes fases da vida, as pessoas tem riscos diferentes de infecção pelo HIV. Uma criança praticamente não tem risco de transmissão sexual, mas no final da adolescência esse risco dá um pulo. Você pode identificar os períodos de vulnerabilidade e adequar as estratégias de vacinação."
Quando anunciaram o sucesso parcial da vacina, os cientistas deixaram claro que não conheciam bem como ela funcionava. Agora, além de não saberem como ela funciona, também não entendem como ela perde eficácia com o tempo.
"Todos querem saber por que ela funcionou e quais testes poderíamos ter feito no laboratório para prever isso", diz Michael. O sangue dos voluntários continuará a ser analisado em busca de pistas que possam levar a explicações sobre como a vacina funciona, diz ele.
Os resultados dessas novas análises levarão cerca de um ano. Enquanto isso, cientistas no mundo inteiro estarão procurando paralelamente maneiras de entender como vacinas podem barrar o HIV.
(Com Reuters)
Fonte: Folha de SP, 20/2/2010
Dermatologistas ensinam identificar sinais da pele
Os médicos sugerem um autoexame do corpo inteiro que é importante para prevenir o câncer de pele. Toda mulher já ouviu falar do autoexame da mama para diagnosticar um possível câncer logo no início. Agora, os médicos sugerem um autoexame do corpo inteiro que é importante para prevenir o câncer de pele. O Ministério da Saúde estima que 120 mil novos casos aparecerão este ano.
Dermatologista na praia tem trabalho. Se começa a fiscalizar encontra coisa errada. “A barraquinha é muito fininha. Não oferece quase nenhuma proteção”, disse a profissional.
O problema, segundo os médicos, é que o efeito do sol não é imediato. É prolongado. Por isso, nem sempre as pessoas percebem. A exposição em excesso de hoje vai trazer problemas no futuro, que podem ser manchas, sinais e até mesmo câncer de pele.
“O sol que você tomou aos 20, 30 ou 40 anos se acumulou e agora vão surgir lesões que são manchas de sol”, explicou a dermatologista Andréia Mateus.
O câncer de pele mais comum é carcinoma, manchas ásperas, com aparência de feridas que não cicatrizam. O mais grave é o melanoma, sinais escuros que aparecem principalmente nas costas e nas pernas.
A novidade para combater a doença vem na prevenção. Um grupo de médicos montou uma cartilha para ensinar o bê-á-bá do autoexame. O primeiro passo é identificar os sinais de risco: pintas assimétricas, que tem um lado diferente do outro; com borda irregular, sem definição; com cores diferentes e diâmetro maior de seis milímetros.
Diante de um espelho, com os braços levantados, dá para observar as axilas. Exame as partes internas dos braços e as palmas das mãos. O mesmo deve ser feito com as pernas e com os pés. Com a ajuda de outro espelho, olhe a nuca e o couro cabeludo. Por último, examine as costas. É importante fazer o autoexame pelo menos uma vez por ano.
“Principalmente nas pessoas com pele muito clara ou que tiveram muitas queimaduras solares e aquelas que têm muitos sinais e manchinhas pretinhas. Essas devem fazer exames periodicamente”, alertou a dermatologista Luna Azulay.
Fonte: Jornal Hoje, 6/2/2010
Terapia de reposição hormonal pode causar asma em mulheres
A terapia de reposição hormonal feita exclusivamente com estrogênio pode aumentar o risco de a mulher desenvolver asma depois da menopausa. Essa é a conclusão de um estudo francês, o maior sobre o tema, com 58 mil mulheres durante 12 anos, provando a ligação entre hormônios femininos e a doença respiratória.
Os pesquisadores descobriram que as mulheres que usaram hormônios para reposição hormonal tiveram 21% a mais de risco de desenvolver asma do que aquelas que nunca usaram. Mas o risco foi ainda maior entre aquelas que usaram apenas estrogênio, representando 54%. O estudo, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Pública do México e pelo Instituto Gustave Roussy, da França, foi publicado na "British Medical Journal's Thorax".
- Temos agora uma evidência, depois de tantos anos de estudo com uma grande quantidade de mulheres, que há uma ligação entre os hormônios femininos, incluindo o uso do estrogênio na reposição hormonal, e o desenvolvimento da asma - disse Leanne Metcalf, diretor de pesquisa do grupo Asma UK.
Especialistas dizem que a asma é mais frequente em mulheres jovens que acabaram de ficar menstruadas e que a doença é mais comum entre mulheres do que homens.
O uso da reposição hormonal caiu abruptamente há poucos anos, depois que um estudo de 2002 provou que o tratamento aumentava os riscos de câncer de ovário, de mama, enfartes e outros problemas de saúde.
* Com informações Reuters
Fonte: O Globo, 9/2/2010
Empresa prevê vacina contra dengue em 2013
A busca por uma vacina contra a dengue pode estar cada vez mais próxima. A maior empresa de vacinas do mundo, a francesa Sanofi-Aventis, está alcançando bons resultados nos testes com o imunizante que entram agora em nova fase. Com investimentos em torno de US$ 1 bilhão (R$ 1, 88 bilhão), as primeiras doses podem estar aprovadas em 2013. O anúncio foi feito ontem (8/2) pelo laboratório.
Resultados de testes clínicos para aferir a segurança do imunizante, publicados há um mês no The Journal of Infectious Diseases, mostraram que a vacina produziu uma boa resposta imunológica contra as quatro cepas do vírus. No estudo, três doses da vacina foram aplicadas em 23 americanos durante um período de 15 meses.
A busca pela vacina da dengue vem consumindo recursos desde a década de 90 e, segundo especialistas, pode ser a solução para lidar com o problema que tanto afeta os países tropicais. Diante da explosão do número de casos no mundo, uma corrida entre as principais farmacêuticas foi lançada.
Pesquisas mostram que a incidência da dengue nos países latino-americanos aumentou cinco vezes nos últimos 30 anos. Na década de 80, cerca de 1 milhão de pessoas ficaram doentes por causa da dengue na América Latina. Nos anos 90, o número saltou para 2,7 milhões. Entre 2000 e 2007, a Organização Panamericana de Saúde contabilizou 4,8 milhões de casos. O número de mortes também cresceu. Passou de 242, nos anos 80, para 1,4 mil entre 2000 e 2007.
Uma das explicações para o aumento do número de casos pode ser o colapso do programa latino-americano para a erradicação do mosquito Aedes aegypti, um esforço que vinha ocorrendo desde os anos 40.
Outros motivos são o aumento das zonas urbanas, problemas sanitários e mudanças climáticas.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 2,5 bilhões de pessoas vivem em áreas de transmissão de dengue. Em todo o mundo há, todos os anos, 50 milhões de infectados e 22 mil mortes.
Brasil
No sábado, o Estado mostrou que o Ministério da Saúde está alerta para a possibilidade de o vírus tipo 1 da dengue tornar-se predominante neste ano no Brasil, o que poderá causar epidemias da doença principalmente entre menores de 15 anos.
Segundo a pasta, São Paulo, Rio, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Roraima, Tocantins e Piauí são os Estados mais vulneráveis por já enfrentarem a predominância do vírus. Há quatro tipos de vírus da dengue, e o ministério reconhece que apenas os tipos 1, 2 e 3 já foram registrados. Quando um sorotipo "ocupa" o lugar de outro, podem ocorrer epidemias por causa do grande número de pessoas que nunca teve contato com ele, como as crianças.
(Jamil Chade)
Fonte: O Estado de SP, 8/2
Pesquisadores americanos testam nova vacina contra malária
Cientistas da Universidade de Maryland, nos EUA, anunciaram, no dia 3 de fevereiro, resultados promissores de uma vacina experimental contra a malária, testada em 100 crianças do Mali, na África Ocidental, todas entre 1 e 6 anos de idade. A nova imunização produziu respostas similares, ou ainda melhores, do que de outros tratamentos já conhecidos.
A vacina tem como base uma fonte do parasita plasmodium, responsável pela forma de malária mais comum e mortal. Este parasita é transmitido pela picada de seu portador, um mosquito do gênero Anopheles.
- Esta pode ter sido a primeira vacina a reproduzir a imunidade natural contra o parasita - comemorou Cristopher Plowe, autor do estudo divulgado no site da revista "Public Library of Science".
O sucesso do levantamento aumentou o grupo de crianças participantes do teste. Cerca de 400 já receberam a imunização, cujos efeitos são perceptíveis até um ano depois.
Fonte: O Globo, 4/2/2010
Revista médica 'The Lancet' se retrata de estudo que ligava vacina a autismo
A revista médica britânica "The Lancet" se retratou formalmente na terça-feira (2) de um estudo de 1998 que vinculava a vacina tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) com o autismo.
A "Lancet" já havia reconhecido em 2004 que não devia ter publicado o estudo de Andrew Wakefield, que gerou uma forte polêmica no país. "Retiramos totalmente esse estudo de nossos arquivos", afirmaram os editores da "Lancet" em comunicado publicado on-line.
A decisão da revista chega dias depois de Wakefield ter sido desautorizado pelo conselho médico do país (General Medical Council ou GMC) por não ter obtido a devida aprovação do comitê ético para efetuar seus testes clínicos.
A principal conclusão de sua pesquisa foi desmentida muitas vezes em estudos posteriores. A afirmação de que a vacina tríplice viral estava ligada ao autismo provocou uma alarmante queda nas vacinações no Reino Unido, além de um debate político e entre os profissionais de medicina.
O GMC, que mais adiante deverá decidir se suspende a licença de Wakefield, só avaliou o procedimento empregado na pesquisa - não seu resultado - e concluiu que o médico havia "abusado de seu poder".
* Com informações da France Presse e da Agencia Efe
Fonte: G1, 2/2/2010
Vacina contra H1N1 terá teste em humanos
O Instituto Butantan começará, depois de três meses de trabalho, a testar em humanos a vacina contra a gripe A H1N1, popularmente conhecida como gripe suína.
O instituto está buscando 400 voluntários, que devem ser pessoas saudáveis com idades entre 18 e 50 anos. Os voluntários serão recrutados por meio do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) e do centro de pesquisa do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.
A partir de amostras do vírus importadas, os cientistas desenvolveram nove tipos de vacinas. Só depois dos testes em humanos é que será definida a vacina que o Butantan de fato produzirá.
Os ensaios clínicos deverão ser concluídos até março, para que a vacina possa ser produzida e usada antes do inverno. Em 2009, mais de 1.630 pessoas morreram por causa da gripe suína no Brasil.
Mais informações: www.butantan.gov.br
Fonte: Agência Fapesp, 2/2/2010
Governo inclui duas novas vacinas no calendário básico
O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (1/2) que duas novas vacinas serão incluídas no calendário básico de vacinação disponível na rede pública de saúde: a pneumocócica 10-valente e a anti-meningococo C. A medida deverá beneficiar seis milhões de crianças.
A vacina pneumocócica 10-valente será oferecida a partir de março em todo o território nacional e protege contra a bactéria pneumococo, causadora de meningites e pneumonias pneumocócicas, sinusite, inflamação no ouvido e bacteremia (presença de bactérias no sangue), entre outras doenças. A vacina anti-menigococo será aplicada a partir de agosto e imuniza contra a doença meningocócica.
Nos primeiros 12 meses após a implementação, as novas vacinas serão aplicadas em crianças menores de dois anos de idade. A partir de 2011, elas farão parte do calendário básico de vacinação da criança específico para os menores de um ano. Segundo o ministério, o investimento é de R$ 552 milhões.
- As inclusões das vacinas são um grande avanço para a saúde pública brasileira. Os imunizantes vão proteger a população contra doenças de grande e vão contribuir para a redução da mortalidade infantil e para a melhoria da qualidade de vida do brasileiro - afirma o diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério, Eduardo Hage.
Com a introdução das vacinas, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer 13 tipos de vacinas para proteger contra 19 doenças.
Veja o novo calendário:
1. BCG (contra tuberculose)
2. Vacina contra hepatite B
3. DTP (contra difteria, tétano e coqueluche)
4. DTP Hib (contra difteria, tétano e coqueluche e infecções por Haemophilus influenzae tipo B)
5. DT (dupla adulto - contra difteria e tétano)
6. Vacina Hib (infecções por Haemophilus influenzae tipo B)
7. Vacina contra poliomielite
8. Vacina contra rotavírus
9. Vacina contra febre amarela
10. Tríplice viral (contra caxumba, rubéola e sarampo)
11. Vacina contra Influenza (gripe)
12. Vacina Pneumocócica (contra meningites bacterianas, pneumonias, sinusite, inflamação no ouvido e bacteremia)
13. Vacina anti-meningocócica (contra doença meningocócica)
Fonte: O Globo, 1/2/2010
Tele-Saúde no combate à dengue no Rio
O verão costuma concentrar a maioria dos casos de dengue. Por causa dos problemas que a doença pode causar, a prefeitura do Rio lançou o serviço de Tele-Saúde para Dengue.
Pelo número 3523-4025, a população pode fazer denúncias de focos da doença, solicitar a visita dos agentes de saúde e tirar dúvidas. Além disso, o serviço conta com enfermeiros epidemiologistas de plantão, que ajudarão na elaboração de um mapa das áreas mais reclamadas. O novo sistema permitirá ainda uma maior agilidade às demandas da população.
De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, os enfermeiros epidemiologistas foram treinados para tirar dúvidas e fazer a triagem das ligações. A partir daí, será feito um mapeamento das regiões com mais solicitações. Cada área da cidade terá dois responsáveis cadastrados, que receberão online as demandas de sua região. Depois de atender as solicitações, eles darão retorno à equipe do Tele-Saúde, que fará o monitoramento da resolução dos casos.
Além disso, o Tele -Saúde fez o cadastro de todos os agentes que estão envolvidos no combate à dengue, para que a população possa confirmar a identidade dos profissionais no momento da visita domiciliar.
Fonte: Extra, 29/1/2010
Cientistas da USP criam novo modo de diagnosticar e tratar câncer de pele
Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um equipamento de tratamento e de diagnóstico do câncer de pele - que é o mais frequente, no Brasil - e corresponde a 25% dos tumores malignos registrados.
Mais de 2,5 mil lesões já foram tratadas com o modelo desenvolvido pela USP de São Carlos, que ajuda a tratar lesões causadas pelo câncer de pele, além de diagnosticá-las rapidamente, por um preço mais em conta.
O equipamento desenvolvido pela USP pode ser fabricado por menos de R$ 7 mil, é leve, fácil de transportar - e o melhor - indica na hora se o paciente tem câncer ou não.
Outras opções usadas nesse tipo de tratamento já existem aqui e em outros países. Mas o aparelho é caro, quase R$ 200 mil, e não tem as vantagens do modelo brasileiro.
Os pesquisadores já têm um financiamento de R$ 4 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fabricar o novo modelo. A previsão é de que até o fim do ano, pacientes de cem cidades tenham acesso, de graça, a essa tecnologia.
"Permite a resolução de casos numa faixa bastante grande, 70, 80% dos casos tratados", diz o pesquisador da USP São Carlos, Vanderlei Salvador Bagnato.
"Tem um excelente resultado cosmético, dando menos irritação, menos cicatrizes residuais da lesão tratada e sendo com pouca dor e bem tolerada pelo paciente", afirma a dermatologista Ana Gabriela Sálvio.
Antes de passar pelo tratamento, o que a professora aposentada Flora Bernardes ouviu de um médico foi assustador. "Ele disse que eu tinha que tirar metade do nariz fora. E o resultado é esse que você está vendo no meu rosto. Eu posso enfrentar qualquer um sem constrangimento", diz Flora.
Fonte: G1, 26/1/2010
Campanha de vacinação contra gripe suína começa em março
O governo vai vacinar, a partir de março, 62 milhões de pessoas em todo o Brasil contra a gripe suína. A estratégia de prevenção à segunda onda da doença, que matou pelo menos 1.075 brasileiros no ano passado e acometeu outros 39.679, é evitar que a pandemia cause ainda mais óbitos e doentes. A vacinação, que começa no dia 8 de março, será feita por etapas e só atenderá aos grupos de risco: trabalhadores de saúde, grávidas, índios e doentes crônicos.
Além desses grupos, o Brasil vacinará também crianças entre seis meses de idade e dois anos e jovens entre 20 e 29 anos. A decisão de incluí-los foi tomada, segundo o Ministério da Saúde, porque essas faixas etárias concentraram um grande número de casos graves e mortes em 2009.
O cronograma da campanha de imunização foi dividido da seguinte maneira: trabalhadores da rede de atenção à saúde e indígenas (8 de março a 19 de março); grávidas em qualquer período de gestação (22 de março a 21 de maio); pacientes não idosos com doenças crônicas e crianças de 6 meses a 2 anos de idade (22 de março a 02 de abril); e adultos de 20 a 29 anos (05 de abril a 23 de abril).
- Agora nós temos uma arma poderosíssima que pode mudar tudo - disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lembrando que a única contraindicação da vacina é para pessoas que têm alergia a ovo.
Além das vacinas, o governo ampliou o número de tratamentos para a doença, que, em todo o mundo já fez pelo menos 14.142 vítimas fatais. Para atender os casos graves da gripe, o Brasil terá 21,9 milhões de tratamentos. Além disso, o famoso Tamiflu estará disponível em farmácias populares - a preços subsidiados pelo governo - e, havendo disponibilidade, em farmácias tradicionais.
Para evitar que a população se automedique, podendo criar resistência ao até hoje eficaz Tamiflu, o governo determinou que o remédio só poderá ser vendido com retenção da receita médica nas farmácias. Na estratégia de combate à segunda onda da gripe suína, o governo já gastou R$ 1,006 bilhão com as vacinas e R$ 525 milhões com o reforço do atendimento ambulatorial e hospitalar específico. A partir de maio, hospitais da rede pública receberão uma enxurrada de novos equipamentos para atender os doentes.
- A estratégia é evitar que a segunda onda seja ainda mais grave que a primeira, mas é precoce prever qualquer cenário - disse Temporão.
Novos casos da doença são esperados com a chegada do inverno no hemisfério sul. Em países europeus e da América do Norte, onde acontece o inverno mais rigoroso dos últimos 30 anos, especula-se que a nova onda da gripe seja mais branda que a primeira. Temporão rechaça essa avaliação.
No período de 24 de abril a 07 de maio, serão imunizados os idosos para a influenza sazonal, como ocorre em todos os anos.
Fonte: O Globo, 26/1/2010
Câmaras de bronzeamento voltam a ser proibidas
O uso de câmaras de bronzeamento artificial voltou a ser proibido nesta sexta-feira (22/1). A decisão reverte uma tutela concedida à Associação Brasileira de Bronzeamento Artificial (Abba) que liberava as câmaras nas clínicas de estética em vários estados do Brasil. Segundo a Anvisa, é comprovado que este tipo de bronzeamento triplica o risco de câncer de pele. No dia 11 de novembro de 2009, as câmaras de bronzeamento artificial foram proibidas para fins estéticos no país. No início de janeiro, as câmaras foram liberadas em alguns estados.
A proibição foi motivada pelo surgimento de novos indícios de agravos à saúde relacionados com o uso das câmaras de bronzeamento. Um grupo de trabalho da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde, noticiou a inclusão da exposição às radiações ultravioleta na lista de práticas e produtos carcinogênicos para humanos.
O estudo indica ainda que a prática do bronzeamento artificial aumenta em 75% o risco do desenvolvimento de melanoma em pessoas que se submetem ao procedimento até os 35 anos de idade. A resolução da Anvisa também afirma que não existem benefícios que se contraponham aos riscos decorrentes do uso estético das câmaras de bronzeamento.
A proibição não se aplica aos equipamentos com emissão de radiação ultravioleta destinados a tratamento médico ou odontológico. Antes da decisão da Anvisa, o tema foi discutido com a sociedade em uma consulta pública e uma audiência pública, realizadas em setembro do ano passado.
Fonte: O Globo, 23/1/2010
Vírus da dengue pode levar a transtornos neurológico
Durante a epidemia de dengue de 2002, muitos pacientes não diagnosticados com a doença deram entrada nos hospitais da rede pública com quadros neurológicos. Segundo a neurologista Marzia Puccioni-Sohler, não se tratava de coincidência.
Como mostrou na pesquisa que coordena na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a presença do vírus da dengue pode desencadear doenças neurológicas, como a encefalite, a meningite, ou a síndrome de Guillain-Barrè. Para confirmar e também compreender melhor a associação entre a infecção pelo vírus da dengue e as manifestações neurológicas, o estudo pesquisou a produção de anticorpos contra o vírus no sistema nervoso. Essa confirmação não apenas facilita o diagnóstico precoce das doenças associadas à dengue, como permite que se trace um tratamento mais eficaz.
"Nossa dúvida era se a dengue causava ou não doença neurológica. Encontramos tantos casos neurológicos que poderiam estar associados à dengue que, para confirmar essa relação, decidimos testar a presença de anticorpos de fase aguda nesses pacientes, independente de história prévia de dengue. Porque vários deles não apresentavam sintomas da dengue clássica e muitos eram assintomáticos", diz a pesquisadora.
Seu estudo "Síntese Intratecal de Anticorpos na Dengue", desenvolvido no Laboratório de Líquido Cefalorraquidiano do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, foi recentemente publicado na revista "Neurology", como um dos sete destaques da edição e motivo de entrevista pela "American Academy of Neurology". O trabalho contou com apoio do Auxílio à Pesquisa (APQ 1), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Entre os casos de dengue provocados pelos vírus da dengue (dos tipos 2 e 3), de 1% a 5% evoluem para doenças neurológicas. Isso tanto pode acontecer pela atuação direta do vírus sobre o sistema nervoso, provocando inflamações - como no caso da mielite e da encefalite -, quanto pelo desenvolvimento de doenças neurológicas devido a uma reação imunológica, cujos sintomas costumam surgir cerca de um mês depois da contaminação pelo vírus.
"No Rio de Janeiro, isso é preocupante. O estado é uma área endêmica, com alta incidência de dengue. Por isso, sugerimos que, em situações de epidemia, os casos de mielite, encefalite e síndrome de Guillain-Barrè sejam investigados. Isso pode ser feito com pesquisa de anticorpos IgM ou procurando detectar a presença de vírus no líquido cefalorraquiano ou no sangue desses pacientes", aponta a neurologista.
A equipe coordenada por Marzia analisou amostras de 10 pacientes com sorologia positiva para dengue - entre eles, casos com sintomas neurológicos de encefalite, mielite, neuromielite óptica e síndrome de Guillain-Barré. Durante a pesquisa, foi possível observar a existência de síntese de anticorpos antidengue no líquido cefalorraquiano de pacientes com mielite.
"Isso demonstra que se pode ter um marcador de infecção viral no sistema nervoso. Em pacientes com mielite - inflamação da medula espinhal -, por exemplo, essa produção de anticorpos no sistema nervoso se torna um marcador da ação do vírus da dengue", explica. Para a pesquisadora, esse passa a ser um grande apoio ao diagnóstico à mielite associada à dengue e permite a melhor compreensão da origem desta manifestação neurológica provavelmente relacionada à invasão viral.
Embora nos pacientes com neuromielite óptica e síndrome de Guillain-Barré, não se tenha registrado produção de anticorpos contra o vírus da dengue, isso não significa que não haja relação entre as duas doenças. "Nesses casos, devemos considerar uma provável causa autoimune desencadeada pela presença do vírus", explica Marzia.
A síndrome de Guillain-Barré apresenta características distintas. "Trata-se de uma doença autoimune, precedida por uma infecção, provocada muitas vezes pela entrada de um vírus no sistema nervoso, que ativa o sistema imunológico, gerando uma reação imune contra proteínas do sistema nervoso periférico", explica.
Segundo a pesquisadora, esses anticorpos confundem as proteínas do próprio organismo com proteínas do vírus com o qual tiveram contato, e passam a atacá-las. É essa reação que leva à síndrome de Guillain-Barré, doença inflamatória das raízes dos nervos. "Que, nesse caso, é desencadeada pelo vírus da dengue", diz a pesquisadora. A neuromielite ótica também é provocada por processo semelhante.
Os sintomas da dengue já são bem conhecidos: febre alta, dor de cabeça intensa, desânimo e dores nas articulações, mialgia e dor retro-ocular. Nos casos de encefalite, no entanto, há repentina redução do nível de consciência, sonolência, convulsões, déficit neurológico focal, como perda da força de um dos lados do corpo e o paciente passa a não mais responder a estímulos do ambiente. Na mielite, há também a perda de força muscular dos membros inferiores, e o doente perde a capacidade de andar. Na síndrome de Guillain Barre, essa perda de força muscular pode ascender, atingindo também os membros superiores. O risco maior é de se chegar a uma deficiência respiratória.
Pacientes diagnosticados com essas doenças neurológicas associadas à dengue, no entanto, não devem preocupar-se demais. Em geral, elas são benignas. "Tratamos as manifestações neurológicas com medicamentos específicos e os sintomas tendem a desaparecer em alguns dias, sem deixar sequelas", tranquiliza a pesquisadora, embora situações mais graves possam eventualmente ocorrer.
Ela esclarece ainda que nos casos de Guillain-Barrè associada à dengue, a doença segue durante 15 a 20 dias. Depois desse processo, os pacientes evoluem com melhora e não há quaisquer consequências. "Apenas num único caso de mielite, entre os que estudamos, houve a perda de força nos membros inferiores, que se manteve por um ano, como sequela da doença neurológica", diz.
A pesquisa é parte do projeto "Implantação da rede de biologia molecular no SUS", coordenado por José Mauro Peralta, do Instituto de Microbiologia da UFRJ (apoiado pela Faperj, em parceria com Ministéria da Saúde - Programa PPSUS), e também contou com a participação do microbiologista Mauro Jorge Cabral Castro, do biólogo Luis Cláudio Faria e das neurologistas Cristiane Soares e Regina Alvarenga.
Fonte: Faperj, 22/01/2010
Dengue: infestação por 'Aedes aegypti' no Rio é três vezes maior do que o tolerável pela OMS
O mosquito Aedes aegypti parece estar ganhando a guerra no Rio. Os índices de infestação predial na cidade continuam altos e, segundo especialistas, como o entomologista Rafael Freitas, da Fiocruz, o número de vítimas da dengue só não é grande porque a maioria da população já teve a doença e está imune aos três vírus que circulam no país. Conforme o último Levantamento do Índice de Infestação Rápido pelo Aedes aegypti (LIRAa), realizado em outubro do ano passado, a média do Rio é 2,9%, quase três vezes o tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é 1%.
Existem pontos na cidade onde a situação é ainda pior. Na Área Programática (AP) 3.1, que compreende os bairros de Penha, Ilha do Governador e Ramos, o índice é 5,2%. Os dois bairros com maior infestação têm realidades distintas. Santo Cristo, bairro degradado e com áreas abandonadas, tem 9,5%. Mesmo índice apresenta a Lagoa, região nobre, mas com problemas como água empoçada em áreas públicas, como o Parque do Cantagalo. Ainda não há levantamentos dos índices do verão, mas a preocupação é com o grande volume de chuvas e as altas temperaturas, condições favoráveis à proliferação do mosquito da dengue.
Três mutirões de combate à dengue, de acordo com o secretário de Saúde, foram feitos recentemente na região da Penha e na do Maracanã. Nas últimas semanas, foram visitados 45 mil imóveis e 40 toneladas de lixo foram removidas. Os agentes detectaram 15 mil focos do Aedes aegypti.
Na Lagoa, bairro com maior índice de infestação na Zona Sul, é com desconfiança que moradores passam pela ciclovia na altura do Parque do Cantagalo. Eles temem que as grandes poças d'água perto das quadras esportivas sirvam de criadouro do mosquito.
Fonte: O Globo, 22/1/2010
Empresa farmacêutica vai abrir mão de patentes de vacina contra malária
A GlaxoSmithKline (GSK), uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo, vai divulgar 13,5 mil estruturas que podem ser usadas em vacinas contra a malária e dados farmacológicos associados.
A ação é a primeira do tipo no mundo das grandes corporações do setor e pode representar o início de um processo de abertura de patentes para remédios e vacinas voltados para doenças mais presentes nos países em desenvolvimento, também chamadas de "doenças negligenciadas".
A GSK afirma em comunicado que oferecerá acesso gratuito à sua biblioteca de pesquisas relacionadas à malária, que reúne cerca de dois milhões de compostos. Em entrevista à Nature, Timothy Wells, chefe da iniciativa Medicines for Malaria Venture (MMV), que busca baratear a produção de remédios contra a doença, elogia a iniciativa e lembra que é a primeira vez que uma empresa abre seus dados à comunidade científica sem restrições.
A própria GSK e a Novartis, outra grande companhia do setor, já haviam disponibilizado informações, mas apenas a alguns grupos de pesquisa ou ONGs, como a MMV.
Dos compostos a serem abertos, ao menos 13.500 tem utilidade imediata, segundo a MMV. Pesquisadores e ativistas esperam que a atitude da empresa possa acelerar pesquisas e estimular outras companhias a tomarem o mesmo rumo, barateando, assim, os custos de desenvolvimento de novos medicamentos.
A GSK informou que ainda está estudando de que forma os dados serão disponibilizados, mas diz que provavelmente eles ficarão alojados em alguma plataforma externa à empresa.
Fonte: Revista Nature, 20/1/2010
Cientistas identificam elementos-chave para vacina da malária
Cientistas identificaram duas moléculas superficiais no parasita da malária que podem permitir o desenvolvimento de uma vacina contra a doença, que mata pelo menos 1 milhão de pessoas por ano no mundo, afirma artigo na revista médica "PLoS Medicine" que circula nesta quarta-feira (20/1).
As moléculas, chamadas antígenos, parecem desencadear uma reação imunológica poderosa em pacientes, ajudando a protegê-los contra a doença em infecções posteriores.
Sob o comando da cientista Freya Fowkes, do Instituto Walter e Eliza Hall de Pesquisas Médicas, de Melbourne (Austrália), os pesquisadores analisaram 33 estudos médicos anteriores que avaliavam pessoas que haviam ficado imunes à malária depois de sofrer a doença.
Eles descobriram que dois antígenos - o MSP-3 e o MSP-119 - provocavam anticorpos particularmente poderosos nos pacientes, o que os protegia em 54% e 18% de novos episódios da doença, respectivamente.
"As pessoas em áreas endêmicas de malária desenvolvem uma imunidade natural", disse Freya à Reuters antes da publicação das conclusões na "PLoS Medicine". "O que (os estudos) fizeram foi ir a essas comunidades e ver a quais antígenos há imunidade e se podemos usar esses antígenos para fazer vacinas." Segundo ela, é possível que haja outros antígenos protetores que ainda não foram estudados.
O parasita da malária se multiplica invadindo os glóbulos vermelhos do sangue. "O parasita usa diferentes antígenos para se acoplar a diferentes moléculas na superfície das células sanguíneas vermelhas (...). Uma vez dentro das células sanguíneas vermelhas, o parasita se divide e se multiplica rapidamente, e a célula sanguínea vermelha estoura e libera ainda mais (parasitas) que contaminam ainda mais células sanguíneas vermelhas", explicou a pesquisadora.
"Pode haver centenas de milhares de células sanguíneas vermelhas infectadas em uma pessoa."
É difícil produzir uma vacina contra a malária porque o parasita é muito diverso, com muitos antígenos em sua superfície. "Com o sarampo, você pega só uma infecção por sarampo e está imune o resto da vida", comparou Freya.
"Com a malária, você precisa de múltiplas infecções para desenvolver uma imunidade de longo prazo à doença. O parasita em si é muito diverso, com muitos diferentes antígenos na superfície (...), e demora um tempo para desenvolver imunidade suficiente a todos os diferentes antígenos (e) para dar uma proteção de longo prazo contra a malária."
Fonte: Reuters / G1, 19/1/2010
Mapeados genes ligados à gripe
Estudo aponta quais unidades são usadas pelo vírus para se replicar, abrindo caminho para novos antivirais
Por Karina Toledo
Um grupo de cientistas alemães mapeou os genes humanos relacionados com o processo de replicação do vírus da gripe, revela pesquisa divulgada na edição mais recente da revista Nature.
A descoberta abre caminho para uma nova geração de drogas antivirais que, em vez de agir nos mecanismos de reprodução do vírus, atua nas células humanas. Isso, em tese, faria com que o medicamento continuasse eficaz apesar das mutações virais. A técnica também traz esperança de tratamento para outras infecções, como a aids.
O objetivo dos cientistas foi identificar quais genes existentes nas células do pulmão são usados pelo vírus influenza A - principal responsável pelas epidemias de gripe - para se reproduzir. Para isso, eles utilizaram uma metodologia chamada RNA de interferência, que permite silenciar genes específicos.
"Injetamos o material genético do vírus em culturas de células do pulmão e fomos silenciando um a um os mais de 22 mil genes que formam o genoma humano para descobrir quais são importantes para a replicação viral", explica Thomas Meyer, um dos autores do estudo. "Identificamos 287 genes cruciais para o processo. Desses, 168 puderam ser silenciados temporariamente sem comprometer o funcionamento das células."
Dos 168 genes, 47 estão ligados à replicação do subtipo viral H1N1 endêmico (causador da gripe espanhola de 1918), 49 ao subtipo H1N1 pandêmico (variação que causa a gripe suína) e 72 aos dois subtipos. Vários genes também se mostraram importantes para a replicação do subtipo H5N1, causador da gripe aviária e altamente patogênico. O próximo passo da pesquisa é realizar testes em modelos animais para verificar se o silenciamento temporário desses genes é, de fato, seguro para o organismo. "Pretendemos ainda estender a pesquisa para outras infecções virais", conta Meyer.
Promessa
Caso a técnica se mostre segura, será possível desenvolver novos medicamentos antivirais que atuem diretamente nos genes humanos essenciais à replicação do vírus.
As drogas existentes atualmente têm como alvo o próprio vírus e se tornam obsoletas quando ocorre uma mutação.
"Já existem relatos de cepas do H1N1 resistentes ao oseltamivir (principal medicamento contra a gripe, cujo nome comercial é Tamiflu)", conta o virologista Wyller Alencar de Mello, pesquisador do Instituto Evandro Chagas.
Segundo o autor Thomas Meyer, deve levar pelo menos cinco anos para que sejam viáveis testes clínicos com drogas desenvolvidas a partir desse estudo. "Vai depender muito de conseguirmos financiamento público ou comercial", diz.
Para a infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Nancy Bellei, ainda que não seja viável a criação de novas drogas, a pesquisa é importante só por elucidar o funcionamento dos genes humanos durante o processo de infecção viral. "Isso abre possibilidade de intervenções terapêuticas, mas o vírus atua em várias partes do corpo e tem outros mecanismos de escape. Por isso uma única droga pode não ser tão eficaz no caso de um vírus muito patogênico."
Fonte: O Estado de SP, 18/1
Bactéria age como vacina para dengue em inseto
Micróbio torna mosquito transmissor imune à infecção pelo vírus da doença. Trabalho de brasileiros e australianos sugere nova forma de enfrentar parasita
Por Reinaldo José Lopes
Se jogar fora a água acumulada de pneus e garrafas não tem adiantado muito, o caminho para derrotar a dengue talvez passe por uma bactéria. O microrganismo, acabam de mostrar cientistas do Brasil e da Austrália, é capaz de infectar o mosquito Aedes aegypti, evitando que o vírus da dengue se estabeleça no inseto.
A estratégia, detalhada em artigo na prestigiosa revista científica "Cell", também pode ser útil contra outro vírus letal transmitido pelo A. aegypti, o Chikungunya, e até contra o parasita causador da malária, normalmente carregado por mosquitos do gênero Anopheles.
A bactéria que fecha as portas aos outros invasores também é passada de geração em geração, o que, em tese, permitiria seu avanço por toda a população de insetos.
Mudança de rumo
A pesquisa representa um passo inesperado numa outra forma de ataque ao mosquito da dengue que o grupo andava estudando. A ideia original era aproveitar o efeito nocivo de uma variedade especial da Wolbachia, bactéria que, segundo estimativas, ataca mais de 60% das espécies de insetos, manipulando-as para seus próprios fins.
"Essa cepa de Wolbachia foi descoberta em Drosophila [moscas-das-frutas] em 1997. Ela aumentava muito em densidade populacional na mosca, e as células tinham danos, chegando até mesmo a estourar, o que motivou os pesquisadores a batizarem a variedade de "Popcorn", ou seja, Pipoca. Esse efeito diminui a longevidade do inseto", explica Luciano Moreira, do Instituto de Pesquisas René Rachou (MG), da Fiocruz, que atualmente faz pós-doutorado na australiana Universidade de Queensland.
Embora a bactéria não infecte naturalmente o A. aegypti, os pesquisadores deram um jeito de transmiti-la ao bicho, por meio de injeções no embrião do mosquito. O plano era criar um bando de A. aegypti que morresse antes do tempo, com menos capacidade de transmitir o vírus da dengue.
Só que havia outros dados, indicando que a bactéria poderia proteger seu hospedeiro de certos vírus. Ao infectar novos mosquitos com o micróbio e depois tentar contaminá-los com o causador da dengue, ficou claro que o grupo havia criado insetos praticamente imunes ao vírus. A façanha foi repetida no caso de um outro tipo de Aedes, que foi inoculado com um parente do parasita da malária -e o venceu.
"O mecanismo disso não está claro", diz o biólogo Bruno Rocha, mestrando da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) que conduz pesquisas na Fiocruz. "Há sinais de que a bactéria ativa o sistema imune [de defesa] do mosquito. Ou pode ser que ela e o vírus estejam competindo por recursos, e por isso ela o exclui. As duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo", diz Rocha.
De qualquer maneira, a receita de ataque à dengue está mais ou menos clara: solte esses mosquitos na população e, ao cruzar com os existentes hoje, a bactéria -e a imunidade ao vírus- vai se espalhar.
Resta saber se, quando os testes de campo começarem, os mosquitos com a bactéria serão capazes de competir com os outros. Por isso mesmo, Rocha lembra que nenhuma solução é mágica. "Vamos precisar de outras metodologias e de novos fármacos contra a dengue", diz.
Parasita cria organismo transexual
Não é de hoje que os pesquisadores sabem das misérias que a bactéria Wolbachia realiza no organismo dos insetos. O microrganismo, entre outras coisas, produz machos "transexuais", transformados em fêmeas, porque a criatura só se espalha pelo lado materno.
Por isso mesmo, ela também é capaz de induzir partenogênese -ou seja, o nascimento de prole sem fecundação dos ovos- ou simplesmente a morte dos machos onde vai parar. Algumas espécies tiveram sua vida reprodutiva tão "escravizada" pela Wolbachia que não conseguem mais gerar descendentes sem ela.
O grupo ainda não sabe se carregar a bactéria teria um efeito negativo para o sucesso do A. aegypti na reprodução- o que atrapalharia o plano deles.
"Mostramos em outro trabalho que os mosquitos mais velhos com a Wolbachia têm problemas para achar uma vítima para obtenção de sangue. Mas isso só aumenta o sucesso do programa. Se pensarmos que os vírus precisam de um tempo para se desenvolver nos mosquitos antes da transmissão, cai a chance de eles transmitirem vírus caso consigam burlar a redução da longevidade", diz Luciano Moreira. E ficar sem o vírus talvez seja vantajoso para o mosquito.
Fonte: Folha de SP, 10/1
Pau-brasil tem composto contra Alzheimer
Pesquisadores brasileiros descobrem nas sementes da árvore proteínas com ação terapêutica
Por Carlos Albuquerque
Nas sementes do pau-brasil pode estar o futuro para a sobrevivência e o desenvolvimento sustentável de uma espécie que vem sendo explorada há séculos, praticamente desde que o país ao qual empresta o nome foi descoberto.
Nas sementes da planta, que ainda está ameaçada de extinção, existem proteínas com propriedades antiinflamatórias e anticoagulantes. Elas vêm sendo estudadas, com possibilidade de que possam, em breve, ser usadas no tratamento de doenças como a psoríase (inflamação na pele) e o mal de Alzheimer.
No caso do mal de Alzheimer, ainda estamos num estágio inicial, mas bastante promissor - afirma a pesquisadora Mariana da Silva Araújo, do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
É que uma dessas proteínas, chamada de CeKI, já provou ser capaz de inibir a produção de enzimas, como a calicreína, envolvidas com o mal de Alzheimer. É nisso que estamos trabalhando atualmente.
Como ressalta a pesquisadora, há muitos anos têm sido descritos os usos medicinais das folhas, da casca e madeira do pau-brasil (Caesalpinia echinata). O trabalho com as sementes, porém, é relativamente recente (desde 2000) e é feito unicamente pelo grupo da Unifesp.
Ação contra veneno de peixe e edema pulmonar
As primeiras etapas das pesquisas envolveram testes com a proteína CeKI, que revelou ser capaz de inibir a ação de enzimas que participam dos processos de coagulação do sangue.
Os testes mostraram que ela causava significante prolongamento do tempo de coagulação - conta a pesquisadora. - Ela também revelou ser eficiente ao restituir condições normais à pele de camundongos afetados pela psoríase.
A proteína também demonstrou ser útil para conter a dor e a inflamação causadas pelo veneno de um peixe, o niquim, comum no Nordeste.
Os acidentes causados pelo veneno desse peixe são caracterizados por edema, dor intensa e necrose no local da ferroada. E mais uma vez, a CeKI respondeu bem, atuando como antiinflamatório, diminuindo a ação do veneno.
Boa parte desses estudos foram relatados no livro "Pau-brasil, da semente à madeira", de Rita de Cássia Figueiredo Ribeiro e colaboradores, publicado pelo Instituto de Botânica de São Paulo em 2008.
O conhecimento cientifico em torno do pau-brasil tem muitas lacunas, que aos poucos vão sendo preenchidas, como é o caso dessas pesquisas com suas sementes - diz Yuri Tavares Rocha, do Departamento de Geografia da USP, colaborador do livro.
Recentemente, outra proteína extraída das sementes do pau-brasil, chamada de CeEI, mostrou-se eficiente na diminuição de edemas em pulmões de cobaias.
Essa proteína é inibidora de uma enzima chamada elastase, cujo excesso pode ocasionar a síndrome da angústia respiratória do adulto (SARA), uma doença caracterizada por uma grave insuficiência respiratória - diz Mariana.
O melhor é que os estudos se desenvolvem sem que seja necessário cortar uma árvore sequer de pau-brasil. É que o gene de uma dessas proteínas (CeEI) já foi clonado pelo grupo de pesquisadores.
Com isso, podemos realizar as pesquisas sem a necessidade de usar as sementes originais - afirma Mariana.
Mas como lembra Yuri, apesar desses avanços, a ameaça de extinção ainda paira sobre o pau-brasil.
Trata-se de uma espécie cujo estado de conservação ainda é precário. E infelizmente não há uma política nacional de preservação do pau-brasil.
Fonte: O Globo, 7/1
Cientistas fazem 1º mapa completo do funcionamento de um
ser vivo
Por Reinaldo José Lopes
Uma equipe internacional de cientistas conseguiu mapear pela primeira vez todos os processos bioquímicos que mantêm um ser vivo (no caso, uma das bactérias mais simples do planeta) em funcionamento.
Os cientistas detalharam a receita toda: o conjunto de proteínas, os genes ativos e a cadeia de reações químicas que constroem a Mycoplasma pneumoniae, causadora, como indica seu nome, de um tipo de pneumonia em seres humanos.
O feito abre caminho para um plano acalentado há anos pelos biólogos moleculares: criar vida artificial --ou, ao menos, uma forma "customizada" dos micróbios atuais. E a análise de como a M. pneumoniae leva sua vidinha unicelular derruba de vez o velho preconceito de que bactérias funcionam de forma rudimentar quando comparadas com seres de células complexas, como plantas ou animais.
A maior diferença entre micróbios como bactérias e organismos mais complexos tem a ver com como o DNA se abriga no interior da célula. Criaturas como árvores e pessoas têm seu material genético cuidadosamente empacotado no núcleo de suas muitas células, enquanto as bactérias não têm núcleo em sua célula única.
Além do empacotamento no núcleo, o DNA dos organismos mais complexos também apresenta uma série de firulas na maneira como é "lido", possibilitando variar a maneira como as instruções contidas nele são seguidas pela célula.
Complicada e perfeitinha
Pois o mapeamento da bactéria, apresentado em uma série de artigos na revista especializada americana "Science", indica que não é preciso ter núcleo para desenvolver métodos sofisticados de leitura do DNA.
O grupo coordenado por Luis Serrano, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, mostrou que a bactéria usa um sistema flexível na hora de transmitir os dados codificados em seu DNA para o mRNA, ou RNA mensageiro, que inicia o processo de produção de proteínas na célula.
Essa flexibilidade depende dos chamados operons, conjuntos de genes cuja ativação é controlada pelo mesmo "interruptor". Em tese, se esse "interruptor" fosse apertado, todos os genes ligados a ele seriam ativados. Mas não é o que acontece. "Existe uma regulação interna, de forma que alguns genes do operon podem se expressar [se ativar] mais ou menos que os outros", diz Serrano.
A mesma versatilidade aparece nas proteínas que a bactéria produz --apenas 689, contra dezenas de milhares do organismo humano. É que esse punhado de moléculas consegue desempenhar múltiplas funções, explica Anne-Claude Gavin, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular.
"Muitas enzimas [proteínas que aceleram reações químicas] são capazes de catalisar reações diferentes, de processar substâncias diferentes ou interagir com várias moléculas parceiras."
Fonte: Folha de SP, 1/1/2010