Alergias alimentares atingem 5% da população; entenda o problema

Não é frescura. Comer alimentos que provocam alergia no organismo pode desencadear processos alérgicos que, dependendo do nível de sensibilidade, aumentam o risco de choque anafilático, fechamento de glote, entre outras reações graves. É preciso ter atenção aos sintomas, fazer os testes e realizar o tratamento.

Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, cerca de 30% da população sofre com algum tipo de alergia, sendo 20% crianças. Já as alergias alimentares atingem 5% da população.

O Dr. Luiz Weber-Bandeira, imunologista e alergista, chefe da Imunologia Clínica do Hospital Santa Casa da Misericórdia, tira dúvidas sobre a diferença entre intolerância alimentar e alergias, cita os principais alimentos causadores de reações alérgicas e indica testes e tratamento.

Qual a diferença entre intolerância alimentar e alergia alimentar?

Todas as reações desconfortáveis a alimentos são intolerâncias alimentares, podendo algumas ser alérgicas ou não. As alergias alimentares normalmente têm fundo genético: quando um dos pais apresenta alergia alimentar, o filho de 30% de chance de ter o mesmo problema. Quando pai e mãe têm a alergia, aí a criança tem 50% de chance de desenvolver os mesmos sintomas.

Quais os sintomas das alergias alimentares?

Nas alergias alimentares, os sintomas de desconforto presentes na intolerância alimentar são intensos e podem ser divididos em dois tipos.

Caso a alergia seja do tipo TH2, as reações são anafiláticas e muito mais conhecidas da população. Trata-se de uma alergia clássica: logo após comer, entre 15 minutos e seis horas, a ingestão do alimento pode provocar urticárias, coceira e vermelhidão na pele, além de cólicas e diarréia. Quando a alergia ao alimento é grave, a evolução nesses casos pode ser muito rápida e séria, com dificuldades respiratórias, vaso dilatação, diminuição da pressão arterial e da oxigenação cerebral, podendo levar à morte.

As alergias do tipo TH1 demoram mais para se manifestar: em torno de 48h. As reações podem se manifestar com cólicas, dor abdominal, aumento da quantidade de fezes, dermatite, rinite e asma.

Quais os principais alimentos que provocam alergias?

No Brasil e na Inglaterra, o campeão em alergias alimentares é o leite e seus derivados. Nos EUA, o amendoim e as nozes são responsáveis por grande parte das alergias. Além desses, o trigo, a soja, peixes, clara de ovo, cacau, crustáceos e moluscos são alimentos que provocam alergias com frequência.

Os corantes provocam mesmo alergias?

Existe uma crença popular muito difundida de que o corante amarelo é o vilão das alergias. Ele, como outros, pode ser intolerado e alergênico para alguns organismos, mas isso é menos comum do que as pessoas imaginam.

Como saber qual o alimento que está provocando a alergia?

A principal forma de testar uma alergia é fazer a retirada do alimento que se desconfia que esteja provocando o problema. Os pacientes com alergia de tipo TH2 demorarão poucos dias para se reconhecer a melhora. No caso dos pacientes com alergias do tipo TH1, a dieta sem o alimento deve ser feita por um período de seis a oito semanas para que se possa observar mudança nos sintomas. Caso seja constatado o causador da alergia, o paciente deve cortá-lo de sua dieta.

Outra maneira de identificar o causador da alergia é o teste de contato. Coloca-se os alimentos suspeitados em contato com a pele do paciente por 48h e se vê qual deles provoca a reação.

Os testes de puntura fazer a aplicação de uma gota no antebraço do indivíduo e em 15 minutos se percebe o alimento que provocou a vermelhidão local e, assim, se identifica o problema.

Os testes feitos com centenas de alimentos ou da gota de sangue não são reconhecidos pelas Academias Americana e Europeia de Imunologia.

Como tratar uma alergia alimentar? Além de retirar o alimento causador da alergia, é preciso tratar os sintomas que aparecem, sejam eles de fundo respiratório, intestinal ou dermatológico.

Um alérgico não poderá nunca mais comer o alimento que provoca o efeito?

Alguns testes estão sendo feitos para criar tolerância em alérgicos a certos alimentos. Com tratamento entre um e dois anos, é possível provocar o contato com o alimento alergênico em pequenas doses até que se libere o consumo do produto. Este tratamento, no entanto, é prioritário para os pacientes que apresentam reações alérgicas muito graves e rápidas, que podem levar a morte.

Põe no rótulo!

A falta de informações nas embalagens sobre a presença dos principais alimentos que causam alergias virou pauta para um grupo de mães de crianças que apresentam o problema. Com medo dos efeitos dos processos alérgicos que podem ser desenvolvidos por seus filhos, elas lançaram uma campanha para defender a clareza dos rótulos. Com quase 68 mil seguidores nas redes sociais em seis meses de existência, o movimento "Põe no rótulo", em parceria com a Proteste - Associação de Consumidores, lançou a cartilha da Alergia Alimentar. O documento traz informações sobre o problema e dá dicas para quem sofre com as alergias conseguir identificar os ingredientes que podem provocar problemas de saúde.

Fonte: EBC, 17/09/2014.

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