Vacina da meningite deixa pais confusos e R$ 1.200 mais pobres

03/08/2015

Folha de São Paulo

Agora disponível em clínicas privadas, imunização atua contra tipo B da doença, que responde por 5% dos casos.

SUS tem vacina contra o tipo C; não há motivo para desespero, dizem médicos, mas produto acabou em alguns locais.

Uma vacina nova – e bastante cara – está deixando os pais brasileiros que levam os filhos a clínicas particulares confusos.

Ela protege contra a meningite B, está disponível desde abril e cada uma das suas duas doses custam até R$ 600.

Os pediatras dizem que a vacina não é absolutamente necessária, até porque não há nenhum surto da doença no país. Mas e a culpa dos pais se alguma coisa vier a ocorrer?

Até porque, de fato, trata-se de uma doença séria. De acordo com a pediatra Natasha Slhessarenko, entre 20% e 30% dos pacientes que têm infecção bacteriana morrem, e é elevado o número de sobreviventes com sequelas como surdez ou dificuldades motoras.

Por outro lado, além da situação controlada da doença no Brasil, o sorogrupo B não é o mais importante. Cerca de 70% dos casos de meningite se devem ao sorogrupo C, que tem vacina disponível no SUS.

Segundo dados do Ministério da Saúde, das 2.740 pessoas tiveram meningite bacteriana no Brasil no ano passado, 146 (5,3%) foram vítimas da meningite B –ao fim, foram 23 mortes no ano. Existe ainda uma forma viral da doença, mas ela é mais branda.

Como desde 2010 a rede pública vacina as crianças de menos de dois anos contra a meningite C, porém, a incidência do sorogrupo B passou a ser o principal vilão no caso específico dessa faixa etária.

"A vacina é boa e recomendada. Mas não existe um cenário que justifique correria para as clínicas", diz José Paulo Ferreira, médico da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A demanda dos pais, porém, tem causado falta do produto em algumas clínicas –a farmacêutica GSK informa que está trabalhando para regularizar os estoques.

Não há previsão da entrada da nova vacina no Calendário Nacional de Vacinação.

"Quando as sociedades médicas recomendam dar a vacina, eles pensam na saúde individual, em tudo que possa ser feito para evitar a doença. O SUS tem que pensar na saúde pública, medir impacto, por exemplo", diz a pediatra Flávia Bravo, da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Não foram identificadas reações à vacina. Segundo a GSK, ela funciona contra 80% das bactérias vinculadas à meningite B que ocorrem no Brasil.

Esses números ficarão mais claros conforme surgirem resultados dos testes clínicos –é possível testar uma vacina de duas formas: pela eficácia imunogênica, que testa o nível de produção de anticorpo, e com testes clínicos, que verificam a queda da incidência da doença na população.

"São testes que levam tempo, porque a população tem que ser vacinada", diz o infectologista Artur Timerman.

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