Vacina contra herpes-zóster chega ao Brasil

13/07/2015

Folha de São Paulo

Imunização contra o vírus varicela-zóster estará disponível na rede particular a partir da próxima semana. Risco da doença é maior a partir dos 50 anos.

O herpes-zóster, comumente conhecido como "cobreiro", é uma manifestação da reativação do vírus da varicela (vírus varicela-zóster - VVZ) que, na infecção primária, causa a catapora (varicela). Após infecção inicial, o vírus permanece latente na raiz nervosa até reativação, causando o herpes-zóster. A doença pode estar associada a complicações sérias, como Neuralgia pós-herpética (uma condição dolorosa que afeta as fibras nervosas e a pele), cicatrizes, superinfecção bacteriana, paralisia neuronal motora, pneumonia, encefalite, síndrome de Ramsay Hunt, comprometimento visual e perda de audição.

No Brasil, o contato com o vírus varicela-zóster ocorre no início da infância. Quase todos os adultos do país estão sob o risco de desenvolverem herpes-zóster. Um estudo que incluiu crianças e adolescentes de 1 a 15 anos de idade de escolas públicas no estado de São Paulo observou que a alta proporção de soropositivos para varicela na faixa etária de 1 a 3 anos de idade, elevando até os 10 anos e mantendo-se em cerca de 90% a partir dessa idade. A prevalência em cinco regiões (Salvador, Fortaleza, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) variou de 88,7% em Fortaleza a 99,5% em Curitiba.

A forma mais eficaz de prevenção do herpes-zóster é a vacinação. A vacina, que é aplicada nos Estados Unidos desde 2006, acaba de chegar ao Brasil e pode ser encontrada nas clínicas particulares. De acordo com a Dra. Marilene Lucinda, Responsável Técnica do serviço de vacinas do Hermes Pardini, a vacina é eficaz e oferece bons resultados. "Estudos clínicos da vacina incluíram mais de 60 mil indivíduos. Em geral, a vacina foi bem tolerada, sendo a maioria dos eventos adversos limitados a reações no local da injeção", diz.

A vacina é aplicada em dose única e recomendada para todas as pessoas acima dos 50 anos. A Dra. Marilene Lucinda alerta para a incidência e a gravidade do herpes-zóster, com o aumento da idade. Dois terços dos casos ocorrem em indivíduos a partir de 50 anos. "Em estudos recentes, estimou-se que o risco do herpes-zóster seja de 30% na população geral, durante toda a vida. Prevê-se que, aos 85 anos, 50% dos indivíduos tenham apresentado um episódio de herpes-zóster. Além disso, a frequência e a gravidade da Neuralgia pós-herpética aumentam com a idade e pode complicar de 25% a 50% dos casos de herpes-zóster em pacientes a partir de 50 anos. Existe um risco maior de evoluir com complicações, hospitalização e, até mesmo, óbito", explica a Dra. Marilene Lucinda.

Mas independentemente do histórico de herpes-zóster o indivíduo deve ser vacinado. "O desenvolvimento da doença não diminui o risco de novo contágio. Além disso, a vacina reduz a intensidade da dor e age na prevenção da Neuralgia pós-herpética em caso de reincidência", avisa a Dra. Marilene.

Nos Estados Unidos, a grande maioria dos adultos (cerca de 98%) estão susceptíveis ao herpes-zóster e estima-se que ocorram 1 milhão de casos anuais. A expectativa é que esse número cresça conforme aumente a faixa etária da população. No país, ocorrem, a cada ano, aproximadamente 50 a 60 mil hospitalizações relacionadas ao herpes-zóster.

Sintomas
A doença é geralmente caracterizada por erupção cutânea unilateral, dolorosa e vesicular, com distribuição que acompanha os dermátomos (raízes nervosas). Apesar de a erupção bolhosa ser a manifestação mais característica do herpes-zóster, o sintoma debilitante mais frequente é a dor, que pode ocorrer antes do surgimento das vesículas, na fase eruptiva aguda e na fase pós-herpética da infecção. Durante a fase eruptiva aguda, relata-se dor local em até 90% dos indivíduos.

Neuralgia pós-herpética
A NPH é a complicação grave mais comum e a causa de morbidade relacionada ao herpes-zóster. A frequência e a gravidade da NPH aumentam com a idade. A NPH foi descrita como dor em queimação, pulsátil, perfurante, penetrante e/ou aguda que pode persistir por meses ou mesmo por anos, que pode também causar distúrbio emocional. Tipicamente descrita como um dos piores e mais debilitantes tipos de dor.

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