Secretaria investiga se estudante de 14 anos que morreu de encefalite estava com caxumba

08/07/2015

O Globo

Colégio onde ela estudava na Barra da Tijuca já teve 44 casos. Número de registros deste ano no estado já supera total de 2014. 08/07/2015

A Secretaria municipal de Saúde investiga se uma estudante de 14 anos, que morreu de encefalite na última terça-feira, estava com caxumba. O resultado do exame de sorologia para detectar a doença ainda não saiu. No colégio pH da Barra, onde ela cursava o 1º ano do ensino médio, foram registrados 44 casos de caxumba, o que levou a instituição a orientar os estudantes a procurarem o posto de saúde da região. Em nota, a escola afirmou que não houve qualquer sintomatologia que relacionasse o caso da aluna com a doença. A adolescente ficou 11 dias internada e, ao dar entrada no hospital, foi diagnosticada com sintomas de dengue. Nesta quarta-feira, em sinal de luto, alunos do pH foram para o colégio vestindo preto. Este ano, já foram feitos 606 registros de caxumba no estado, número que supera o total contabilizado nos 12 meses de 2014 (561).

A Secretaria estadual de Saúde está investigando se o aumento do número de casos foi causado por falhas na cobertura vacinal. O mais grave é que já ocorreram 66 surtos no estado. Um surto é caracterizado por uma quantidade de casos acima da média num só local, como uma creche ou escola. Apesar do aumento das notificações, a secretaria garante que não há evidências de epidemia.

No município do Rio, pais de alunos de escolas da Barra e da Zona Sul já estão assustados com a incidência da doença. Na última terça-feira, a direção do Colégio Andrews, no Humaitá, enviou uma circular às famílias, comunicando a ocorrência de seis casos. Já o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, teve em torno de dez registros desde abril. A médica Luciana Nogueira contou que o filho de 14 anos, aluno do Santo Inácio, teve caxumba há dois meses. Ela disse que se surpreendeu porque o adolescente havia tomado a vacina e a dose de reforço: — Ele não desenvolveu nenhuma complicação. No período em que ficou doente, não foi à escola e eu avisei a direção.

O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, disse que todos os registros estão sendo analisados. Informou ainda que os resultados dos exames laboratoriais são aguardados, para a conclusão do processo de investigação.

— Estamos investigando se há alguma falha vacinal, embora saibamos que nenhuma vacina tem 100% de eficácia. A caxumba é uma doença de transmissão respiratória, de pessoa para pessoa. É uma doença benigna e com cura espontânea, mas alguns casos podem ter complicações graves, como a orquite (inflamação nos testículos), a meningite e a pneumonia. Uma recomendação geral é que as pessoas lavem as mãos com frequência — disse Chieppe.

Para o infectologista Alberto Chebabo, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, o aumento do número de notificações está relacionado com a proteção vacinal:

— Há 40, 50 anos, quando não havia a vacina, as pessoas tinham caxumba na infância. Quem tem menos de 30 anos foi vacinado. Essa população adolescente que recebeu a vacina na primeira infância, se não fez o reforço entre os 4 e 6 anos, pode estar suscetível à introdução do vírus, que pode ter chegado com algum turista.

SECRETÁRIO: HÁ SURTOS LOCALIZADOS
O secretario municipal de Saúde, Daniel Soranz, disse que existem na cidade surtos da doença localizados na Zona Sul, no Centro e na Barra da Tijuca. Ele, no entanto, afirmou que não há uma epidemia. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, desde o início do ano até esta quarta-feira, foram registrados cerca de 600 casos de caxumba na capital. Em 2014, esse número ficou em torno de 500. Sobre a diferença em relação aos números do estado, Soranz disse que os dados da prefeitura são mais atualizados.

De acordo com o secretário, a maioria dos infectados tem entre 10 e 19 anos. Ele disse que a maior parte das crianças que apresentaram a doença no Rio não tinha o calendário vacinal completo.

— As pessoas não precisam ficar nervosas, mas recomendamos que todos verifiquem a situação vacinal, principalmente as pessoas que vão viajar para fora do país. Quem não foi vacinado pode procurar um dos 130 centros municipais e 74 clínicas da família da cidade — disse o secretário.

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