Terapia genética é capaz de ‘desligar’ alergias severas

02/06/2017

O Globo

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Queensland, na Austrália, mostrou-se bem-sucedida ao utilizar terapia genética para "desligar" o mecanismo celular que leva a alergias severas e potencialmente letais, como a asma. Os pesquisadores, liderados pelo professor de imunologia da universidade Ray Steptoe, conseguiram modificar as células imunológicas de camundongos de forma que elas se tornassem capazes de tolerar proteínas alergênicas típicas da asma. A ideia é que o mesmo método funcione também para outras alergias graves, como a amendoim, a leite e a veneno de abelha.

O professor Steptoe explica que, quando alguém sofre de alergia, os sintomas que essa pessoa experimenta são resultado da reação que suas células imunológicas — também conhecidas como células T — têm em contato com o produto alergênico. E o grande desafio para tratar isso é que essas células desenvolvem uma "memória imunológica" e isso as torna muito resistentes a tratamentos.

— Nós pegamos células-tronco do sangue, inserimos nelas um gene que regula a proteína alergênica e colocamos de volta no ser vivo — detalha ele. — Essas células manipuladas produzem células sanguíneas novas, que expressam a proteína e visam células imunológicas específicas, "desligando" a resposta alérgica.

A pesquisa, financiada pela Fundação da Asma e pelo Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da Austrália, foi publicada nesta sexta-feira na revista científica "JCI Insight".

O professor Steptoe ressaltou que as descobertas estão sujeitas a uma nova investigação pré-clínica, sendo o próximo passo a replicação desse método usando células humanas, em laboratório.

— Nós já conseguimos "formatar", "limpar", a memória dessas células T em animais com o uso de terapia genética, desativando o sistema imunológico para que ele tolere a proteína alergênica — diz o pesquisador. — Nosso trabalho usou um alergênico experimental de asma, mas esta pesquisa poderia ser aplicada para diversas alergias graves.

Segundo o australiano, o objetivo final é uma única terapia genética injetada, substituindo os atuais tratamentos de curto prazo que visam ao combate dos sintomas de alergia, com diferentes graus de eficácia.

O Globo - 02/06/2017

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