Testes finais confirmam que vacina contra ebola é altamente eficaz

23/12/2016

O Globo

Empresa farmacêutica garante 300 mil doses da vacina para 2017

Uma vacina experimental contra o vírus ebola se mostrou 100% eficaz em testes conduzidos na Guiné, de acordo com um estudo divulgado ontem na revista científica “Lancet”. Os resultados finais dão esperança de uma melhor proteção contra a doença que devastou alguns países africanos entre 2014 e 2015, matando mais de 11 mil pessoas. De acordo com os cientistas envolvidos com a pesquisa, o produto estará disponível no mercado em 2018.

A vacina, chamada rVSV-ZEBOV, foi aplicada em cerca de 5.800 pessoas no ano passado na Guiné, quando o surto da doença estava em queda. Todos os imunizados tiveram contato com algum portador do vírus, e receberam o imunizante imediatamente ou três semanas depois. Dez dias depois, nenhum caso de doença havia sido registrado. Entre aqueles que não receberam a vacina, houve 23 casos da enfermidade.

A pesquisa foi liderada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e teve colaboração do Ministério de Saúde da Guiné, de Médicos sem Fronteiras (MSF) e do Instituto de Saúde Pública da Noruega.

— O ebola deixou um legado devastador em nosso país. Estamos orgulhosos de podermos contribuir para a elaboração de uma vacina que irá ajudar na prevenção contra a doença em outras nações — comemora Jeita Sakoba, diretor da agência nacional de saúde na Guiné.

Algumas pessoas que foram imunizadas relataram dores de cabeça, fadiga e dores musculares. Dois pacientes apresentaram reações graves — um deles teve reação alérgica.

— Esta vacina será um poderoso instrumento para evitar a disseminação da cepa Zaire do ebola e para proteger profissionais de saúde — revela Bertrand Draguez, presidente de MSF-Bélgica. — Tentaremos usá-la em um futuro surto da doença. Mais pesquisas ainda são necessárias para determinar a extensão da proteção que ela oferece e para vacinas contra outras cepas.

300 MIL DOSES DISPONÍVEIS

A OMS, por sua vez, considera que os resultados preliminares demonstraram um “desenvolvimento extremamente promissor”. A vacina foi fabricada pela Merck, Sharp & Dohme e seu progresso tem sido acompanhado por agências reguladoras dos EUA e da Europa. A companhia farmacêutica garantiu que 300 mil doses da vacina estarão disponíveis no caso de um novo surto de ebola. O licenciamento ocorrerá até o fim de 2017.

— Estes resultados convincentes chegaram tarde para aqueles que perderam a vida durante a epidemia na África Ocidental, mas mostram que, no próximo surto, não estaremos indefesos — destaca Marie-Paule Kieny, subdiretora Geral da OMS para Saúde e Inovação e autora principal do estudo.

O vírus apareceu pela primeira vez na África em 1976 e causou surtos periódicos principalmente na África Central, mas nunca com resultados tão mortais quanto o detectado, em 2014, na África Ocidental. Os primeiros casos foram registrados na Guiné, mas depois chegaram a Serra Leoa e à Libéria. Muitas tentativas anteriores para desenvolvimento de uma vacina falharam. Entre os obstáculos estavam a natureza esporádica da onda de infecções e a falta de financiamento.

Os testes ocorreram em uma região costeira da Guiné onde, em 2015, ainda havia novos casos da doença. Os pesquisadores usaram o método de “vacinação em anel” — quando um novo caso era identificado, a equipe rastreava todas as pessoas com quem o paciente teve contato nas três semanas anteriores, como moradores da mesma casa. No fim do experimento, viram 117 “anéis”, cada um composto, em média, por 80 pessoas.

Os envolvidos em alguns “anéis” receberam a vacina imediatamente; outros, apenas três semanas depois. Quando o sucesso em ambos os grupos foi constatado, o imunizante, que, era restrito a pessoas com mais de 18 anos, passou a ser aplicado também em pacientes de 6 anos ou mais. Muitas pessoas não vacinadas nestes grupos foram indiretamente protegidas do vírus, em um fenômeno conhecido como “efeito rebanho”. Ainda assim, houve 23 infectados neste grupo.

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