Testes da primeira vacina contra Aids começam na África do Sul

30/11/2016

O Globo

Pela primeira vez, cientistas acreditam ter encontrado estudo promissor: espera-se eficácia entre 50% e 60%

O golpe de misericórdia contra o HIV está próximo. É com essa expectativa que pesquisadores de várias partes do mundo lançam, nesta quarta-feira, véspera do Dia Mundial de Combate à Aids, um ensaio clínico de envergadura inédita para testar uma vacina experimental contra o HIV na África do Sul.

Chamado de HVTN 702, o estudo vai testar uma versão aprimorada da única vacina que já apresentou resultados significativos, a RV144. Conforme informações do The Guardian, esta primeira versão foi testada há sete anos na Tailândia com 16 mil voluntários e apresentou uma eficácia de 31%. Agora, pesquisadores desejam ampliar a eficiência da vacina para índices entre 50% e 60%.

— Obviamente, gostaríamos que fosse 90% (o índice de eficácia), mas isso é provavelmente pedir demais, dada a complexidade do HIV e a resposta imune do corpo a ele — disse o diretor do Instituo Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, ao "The Guardian".

Este ensaio clínico, um dos mais importantes já realizados, reaviva a esperança da comunidade científica. Pela primeira vez desde a identificação do vírus, em 1983, os cientistas acreditam ter encontrado um estudo promissor.

Serão recrutados mais de 5 mil homens e mulheres, com idades entre 18 e 35 anos, para participar da pesquisa que deve apresentar os primeiros resultados em 2020.

— Se for utilizada paralelamente aos métodos de prevenção com eficácia comprovada que já estamos usando, uma vacina segura e eficaz poderia ser o golpe de misericórdia contra o HIV — afirmou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos. — Até mesmo uma vacina moderadamente eficaz reduziria de forma significativa o peso da doença em países e populações muito infectadas.

ÁFRICA DO SUL: MAIOR ÍNDICE DE HIV

Produzida com um subtipo do vírus que circula pelo sul da África, chamado de "clade C", a vacina será aplicada em cinco doses e haverá três reforços, além do uso de drogas adjuvantes para melhorar o sistema imunológico. Os voluntários serão monitorados durante dois anos.

A escolha da África do Sul para testar a vacina se deve a ao fato de que este país tem um dos índices de prevalência de HIV mais altos do mundo, com sete milhões de infectados, o que representa 19,2% da população, segundo a Unaids.

No mundo, dois milhões e meio de pessoas por ano são infectadas pelo vírus, que causou mais de 30 milhões de mortos desde os anos 1980, de acordo com um estudo publicado em julho na conferência internacional de Durban, leste da África do Sul.

O Globo - 30/11/2016

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