Cuidados com disposição dos móveis e limpeza da casa evitam alergias

02/10/2016

O Globo

Médicos mostram alguns hábitos que podem aliviar os sintomas e as crises

Uma coceira intermitente no nariz acompanhada por uma sequência de espirros pode ser um forte indicativo de que a casa precisa de um tapa no visual. E não são as cores da parede ou a estampa do sofá que devem ser mudadas. Sem os devidos cuidados, o imóvel onde vive uma pessoa com alergias pode virar um verdadeiro campo minado.

— O ambiente doméstico é foco de diversas substâncias capazes de afetar a evolução clínica de doenças alérgicas, principalmente as de natureza respiratória, que incluem a rinite, a sinusite e a asma brônquica — afirma o médico Eduardo Costa, coordenador do Serviço de Alergia-Imunologia da UERJ.

Como ele descreve, há dois grupos de “vilões” que podem ser inalados no interior das moradias e, consequentemente, agravar as crises respiratórias. O primeiro deles refere-se às substâncias com ação irritativa no aparelho respiratório, como odores de produtos de limpeza e perfumes, além de poluentes, como a fumaça de cigarro. Já o outro grupo é formado pelos chamados agentes alergênicos, substâncias biológicas derivadas de ácaros da poeira, pelo, pele e secreções de animais domésticos, fungos (mofo) e insetos.

— Por serem facilmente reconhecidos pelo odor e causarem sintomas imediatos, os itens do primeiro grupo tendem a ser notados mais rapidamente — observa Costa. — Já o segundo não é tão facilmente percebido. Em geral, o alérgico sente o cheiro do mofo e dos cães, enquanto as substâncias alergênicas de ácaros, insetos e gatos não são notadas. Entretanto, causam não só irritação da mucosa que reveste o aparelho respiratório, como induzem a uma inflamação que leva às crises de espirros, coriza e prurido nasal (na rinite) ou de tosse, falta de ar e chiado (no caso da asma).

O médico alerta que, quanto mais tempo uma pessoa fica em contato com esses agentes, mais sintomas aparecerão. Para quem tem rinite, por exemplo, a piora do quadro aumenta o risco de sinusites e de desenvolvimento de asma. E para quem já apresenta asma, afirma ele, a probabilidade de exacerbações aumenta, assim como as chances de internação, além da perda progressiva e mais acelerada de função pulmonar. Segundo a médica Norma Rubini, vice-presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, estima-se que 20% a 25% da população brasileira tenha algum tipo de alergia respiratória. E isso, de fato, se desdobra numa preocupação das pessoas com suas casas.

— Pacientes alérgicos ou com filhos alérgicos buscam seguir as recomendações. Mas nem sempre é fácil, pois algumas mudanças envolvem fatores financeiros, sociais e psicológicos. Várias famílias não têm como mudar de endereço ou fazer as reformas necessárias, especialmente, aquelas que não residem em imóvel próprio — diz ela.

O Globo - 02/10/2016
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